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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ilhado na cama. Sonhando.

Ilha de Creta, Ilha de Lesbos e mais tantas outras mais.
A minha é a dos gringos, a Baía dos Porcos.
Será que tem essa também?
1º de abril!!!
Tem essa não, sua bestinha lesa.



Eu estava sonhando adiantado na data, depois da minha grande noite no reveillon.
Curtindo com minha namoradinha nova.
Numa mentirinha bobinha.


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Navegos, navegas …

Respiros são humanos.
Suspiros são saudades.
Cheiros às vezes trás lembranças.
Cheiros e sonhos sem fim, são desumanos.
Suspiros também são cansaços: do nada, da lembrança, do cheiro, do sonho.
Suspirar é vagar em cheiros vãos.
Lembranças negativas fazem sofrimentos emergirem em suspiros.
Suspiros, suspiros, suspiros …
Cheiros nadam, nas faltas.

Brutus.


Harmoniosa manhã, essa diferente.


Parece um bicho depois das mangas e dos 

fiapos, chupando (limpando), os dentes.


Vermelhos em festas.

Nas trevas nada se vê.
Por quê tem gente que diz que lá faz frio?
Acho mentiroso isso.
Quem vai saber?
Falta de luz é outra coisa, diferente.

Sou mais as luzes vermelhas nos Natais, de vez em quando, acendendo e apagando.

 
Piscam, mas aquecem as pessoas com vontade de ganhos.
Frieza é não ter esperanças.  
Faltar luz de vez em quando, é pouco e bom, nas festas iluminadas.
O pior é o frio do nada, na escuridão, olhando outras luzes, frias e distantes.

Enganos, fofocas.

Eu tinha um amigão que vivia falando muito bem de sua mulher, de todas as formas, no trabalho.
Fiquei muito curioso e quis saber mais sobre o assunto.
Descobri que sua mulher devia ser realmente muito boa mesmo, mas, por fora.



O cara era um burro de verdade, não sabia fazer nada de nada.
Achei meio falso o que ele contava que ela fazia com ele, e ele contava com orgulho.
Cortei minhas relações com o colega, achei ele falso, um sem futuro.

Bobeira minha.

Minha ex-namorada tem um metro e meio de altura, de pura beleza, tava com tudo em cima. Eu num dia de loucura, me achei desconfortável dando um beijo nela, e tive uma tentação infeliz.
Lhe dei um sapato plataforma no dia seguinte de dez centímetros de salto.

Ela só tinha quinze anos e eu ensinei isso a ela, do alto de meus trinta e cinco de idade, imbecis.
Ficou tão empolgada com a novidade que me deu um fora e casou-se com um gringo, me deixando só.
Aprendi com essa que às vezes é melhor não ensinar o gostoso das medidas, para não fazer papel de bêsta depois.
Eu perdi o bom, pela ambição do querer o mais gostosinho, na coisa certa das indiferenças.

Triste Mama.

-- “Mamãe, mamãe, mamãe, és a rainha do lar … “
Cantou um bêbo todo orgulhoso e empolgado num bar.
Seu amigo de cachaça olhou invocado para ele e com desprezo falou, bem sabido das coisas:
- Peraí seu safado, desde que tú nasceu, ela deixou de ser, mesmo que tivesse sido antes. Tú não tem honra de homem. Entonce tú, com essa idéial, nem cantando no dia certo, quanto mais agora no Natal.
- Oxi, ficasse doido?

- Teu pai sabe tudo, e não te contou. Bebo falante. Canta Jingle Bell’s que é do tempo. Burro babão, limpa a boca dessa canção inocente. As outras mães, não merecem teu cantinho safado.
- Endoidasse de vez.
- Pensa que não tou vendo. Tú és safado mesmo, tás cantando para aquela dona ali, bonitinha com o bebê no colo. Vou sair de perto de tú, alma sebosa.
- Fique aí, eu me vou. Adeus, coisa ruim.
O bêbo cantor disse isso triste. Se levantou da mesa, e saiu chorando para casa. Emocionado e cambaleando, trocando as pernas na rua, com lágrimas rolando.

Achados e perdidos



Nem todos que se perderam foi por falta de achar.
Tem quem ache perdas em tudo.
Menos em si mesmo.
As trombas ás vezes atrapalham os sonhos das águas limpas.
Os bichos tomam-as sujas às vezes, e nem sabem.
Ou sabem e escondem, dos limpinhos de outras realidades.
Para não se humilharem aos pensamentos.
Pessoas são sábias o bastante para negarem também, do que bebem e do que provam.
Isso difere com certeza às naturezas.
A exposição não é tudo.
Pode-se enganar quem acredita nela.
Beijo não são dos bicos, são das trombas, o cheirinho diz tudo, das línguas humanas.
Cerebrando as coisas.
Sensações em sentimentos.
Pelos gostos e repulsas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Amoras e morangos sem gostos só odores, multiplicidades coloridas em paisagens macias.

A vida poetando flores em choques diversos.
A rotina de as ter as entregas das lembranças antes de esquecer.
O difícil é não ter a simples presença do simples ser.
Vendo em muitas cores mil universos.
A diginidade do respeito às diversidades.
Brasas moram nos seus vermelhos.
Sóis em amarelos de poucas idades.
A tantas cores presentes nos seus molhos.
Divindades não reproduzem disto nada.


Divindades não tem flores de um todo, nem de um, cada.
É o que se busca nos mitos.
O que se adora em ritos.
Belas flores e cores.
Cheiros de muitos amores.
Múltiplos sabores em seus coloridos.
Lembranças de diversos sítios.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Putrefação nos campos da paz.

Lendo um texto na web, fico pensando que a política e a guerra acontecem nos lugares mais inesperados.
A história que li, narra os desencaminhamentos em um cemitério de uma localidade distante, os fatos narrados me fez ter esta visão de desprezo. Os mortos vivem ao sabor dos poderosos locais, as vezes ao relento, em covas rasas, até amontoados, apodrecendo sem dignidade.
A comunidade local fica muito revoltada ao ver seus entes queridos passando por tal situação após deixar seu convívio e ir a última morada.
O fato deve existir desde a fundação do recanto, onde os negros eram ali enterrados de qualquer maneira, sob as árvores, por falta de outra opção menos humilhante na cidade. Os habitantes herdeiros não tiveram melhor destino que os primeiros, continuando o sofrimento da vida na morte, observada pelos parentes, os líderes comunitários experimentam atualmente as mesmas coisas do passado.
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A superpolução é gritante, o odor se espalha pela vizinhança, os lençois freáticos contaminam tudo ao redor que precisa de água para a vida, ou higienização. Poupando daquela água apenas o consumo para suas vidas.
Muitos administradores políticos interviram para resolver o problema, mas talvez por falta de empenho não obtiveram sucesso.
Os mortos não reclamam dos problema dali, os vivos não aguentam mais. È o plano de fundo do texto, macabro, onde aparecem os defensores público do sofrimento, que sempre lucram, e até se tornam posseiros das terras ao redor. O olhar do sensacional, da novidade disto tudo é que se cria uma cultura diferente, a morte permeia a olhos vistos, o problema existe, ninguém faz nada para a solução, nem com gritos nem com visão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tubarões, nunca tinha os visto de pertinho.

O mar não estava para peixinhos, estava rico de tubarões. A diversidade era grande segundo o instituto que dava apoio as atividades tranquilas dos banhistas. Acho que é para isso que ele serve aqui neste local.
Era meu último dia de visita.
A cidade é muito bonita, cheia de história em seus monumentos, uma diversidade geo-espacial significante, do litoral aos limites - bosques, plantações, indústrias, parques, lagos, até açudes para pescarias, enfim de tudo tinha em abundância.
Achei tão bom o passeio, que não queria esquecer mais nunca dali. Tirei fotos de todas as formas com minhas acompanhantes de viagem. As imagens que mais gostei foram as do hotel. Magnífico, muito luxo, vale tudo o quanto pagarei.
As moças neste dia estavam inspiradas, tanto nas roupas, curtas, transparentes, coloridas, bem alegres: quanto nas gracinhas que faziam.
Discretamente as coisas aconteciam, e eu no centro delas. Me sentia todo bom. Minhas coleguinhas faziam parte de um grupo chamado “Amigos de Viagens”, que tinha na minha cidade. Nos inscrevemos no programa e agora estávamos todos juntos aqui.
Agente se inscrevia, colocava o perfil e através de um processamento e cruzamento de informações, eram escolhidos acompanhantes adequados em número de cinco pessoas. Pelas minhas informações, disseram que este era meu grupo sugerido da forma mais rigorosa possível. A empresa nunca falhou nas escolhas.
Para fechar com chave de ouro estou eu aqui agora, com minhas belas amigas, curtindo o domingão nas areias escaldantes do meio-dia. A curtição continuava.
Apesar do aviso do controle da praia para não entrar na água. Resolvi que para não deixar as minhas colegas esquecerem de meus atributos atléticos, iria mergulhar, que era meu esporte preferido.
Subi em um trampolim muito legal que tinha lá. Acho que a parte mais alta tinha uns dez metros de altura. Pulei, fazendo um mortal duplo de costas, as garotas na areia foram ao delírio com a perfeição estética do ato.

Nado de volta a praia, quando de repente, vejo uma barbatana se aproximar de mim, desesperado, nado à toda velocidade, o bicho não sai de trás, eu grito por ajuda, não tinha salva-vidas por perto.
Sinto as primeiras dentadas na minha carne. Na batata datubnarao-martelo perna primeiro, depois na coxa, o sangue começa a inundar dos lados. De repente, do céu, começa a baixar um helicóptero. Os homens agem rápido e me salvam.
Na minha cidade, já reestabelecido, vou fazer o pagamento da segunda prestação dos serviços da empresa, ainda de muletas.
- Vocês foram demais, o passeio foi incrível, tudo seria muito bom, se não fosse uma coisa. A presença daquele trampolim no mar nos excita a querer exibirmos nossos dotes. Num dia perigoso como aquele, cheio de tubarões, arruinou a minha viagem. Quando mandarem turistas para lá de novo, acho que podiam fazer esta advertência. para os viajantes, tem perigo ali. Obrigado e até o próximo mês, na terceira prestação.

Apenas sinais, retas e curvas.

O auto estava a duzentos por hora na BR, sentia todo o prazer de te-lo nas mãos. Meus pés bem calmos, mantinham a velocidade constante.
Ao passar em um posto de combustíveis, me dá vontade de abastecer o meu motor. Estava precisando descontrair do estresse da estrada com uma geladíssima.
Estacionei o carro, desci e fui experimentar a gelada. A garçonete de vermelho, numa jardineira e blusa branca me diz que não era aconselhável eu fazer isto, a fiscalização está intensa pelo feriado, podiam me pegar no bafômetro.
Não a ouço e peço uma latinha da marca mais barata, o dinheiro que tinha no meu bolso era pouco, não tinha de onde tirar mais ali. Achei o posto esquisito, parecia meio abandonado além de não ter muitas opções.
Estou sentado na mesa e de repente a garçonete se aproxima de mim. Olho fixamente para ela e digo que já estou satisfeito, ia tomar só aquela e prosseguir viagem.
- Meu amor, faça isso não, temos uma bela acompanhante aqui para viajantes, não vai querer?
- Olha, estou apressado, é uma viagem de negócios. Pretendo chegar ainda hoje na cidade de destino e preparar-me até tarde da noite, para a reunião de amanhã cedinho.
- Faça isso não, o senhor não vai se arrepender.
- Mas nem de onde sacar a grana vocês tem aqui. Desculpa, mas não posso, eu acho.
- Tenho uma solução, o senhor deixa o seu telefone e endereço, e depois agente dá um jeitinho. Não se preocupe com os detalhes do programa.
ESTRADA
O homem já convencido perguntou pela acompanhante, e de pronto a garçonete respondeu que era ela. Sorriu, e foi mostrando os detalhes a mais de seus serviços extras.
De manhã cedo o cara se levanta da cama, sente uma dor forte de cabeça, parecia uma ressaca violenta. Depois da aventura, não era mais para ele estar ali, dormiu demais. Lembrou da proposta da mulher e disse falando sozinho, “me ferrei !”.
Ao sair do quarto mofado, no fundo do posto, olhou para o espaço onde tinha deixado sua van, não viu nada, procurou telefones, nada. Foi para a beira da estrada, ver se arrumava uma carona, achava que seria difícil, estava apenas de cuecas. Podia ficar mais encrencado ainda.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sons na mata.

Ventos batendo nas folhas, pássaros assobiando numa desritmia, sons desconhecidos por mim de animais silvestres. A tardinha era assim na mata. Eu já acendia a fogueira para me aquecer naquela noite. Sabendo que ia ser bem longa.
Adormeci sobre a grama verdinha, a terra cheirava forte sob mim, tinha cheiro de coisa úmida. Minha roupa não continha o frio noturno, era uma bermuda e camiseta regata,  não tinha como me cobrir para apaziguar a sensação térmica. Coloquei os chinelos na cabeça e o sono foi chegando, apesar de o queixo tremer de frio.
O que ajudava era a fogueira do lado.
Acordo com os primeiros raios do sol, me levanto e começo a caminhar em direção a minha casa.
Tudo começou por uma confusão, tinha brigado com minha irmã, Renata, ela disse aos meus pais que eu havia mexido na bolsa de minha mãe, eles a defenderam, acreditando nela e eu no descontrole da emoção fui sem rumo pelo mundo.
Deixei um bilhete sobre minha cama, onde dizia que ia dormir na casa de André, um de meus amigos.
Na rua, meus amigos me viram, eu conversei um pouco com eles, enquanto matutava o que ia fazer. Tomei umas pingas com André, que era o único que tava bebendo, e me fui. Não disse nada.
Ao passar ao lado da Reserva Florestal, entrei. cor 2
Paguei a entrada de R$ 2,00, e comuniquei ao vigilante, que ia fazer uma caminhada até o lago. Eram umas 3 da tarde. Enquanto chegava a noite, eu na beira do lago, fumava todo o cigarro que restava, quando acabou joguei a carteira fora e guardei os fósforos, já imaginando minha precisão.
Foi assim a tarde após a briga, na mata.
Voltando para casa, vejo os colegas no banco da praça, dessa vez estavam todos bebericando. Falei com eles, que nada notaram, e continuei meu rumo, o que eu ia fazer agora? Pensava.
MInha mãe me viu e me disse aflita:
- Desculpa por ontem meu filho, Renata falou para nós a verdade, você estava com toda a razão, demos um castigo a ela, para não te prejudicar mais. Ela que tirou os R$ 10,00 da carteira como você tinha dito.
- Tudo bem, eu também vou dar uma liçãozinha nela, vai me pagar dobrado o que fez comigo. Vai ter que me pagar hoje os R$ 30,00 que está me devendo – eu disse e fui tomar banho. Bem chateado.

Culto a verdades ou inverdades?

Uma imagem, mesmo que ela não exista, pode perturbar muito a pessoa.
Uma lembrança é uma imagem, que pode assumir várias formas em quem a tem.
Isto é condicionado ao momento que se está passando, ou as necessidades que se enfrenta.
Os obssessivos, costumas tirar proveito destas coisas e aplicá-las com um objetivo definido. Mesmo que seja uma loucura para o ouvinte, que por mais explicado que seja, não vê sentindo em objetivos e discursos alheios, principalmente quando não fazem parte da sua realidade.
Tem pessoas que a partir do que sabem, as vezes, se sentem, se acham, e com essa pedra filosofal na cabeça, sai espalhando inverdades, passando-as como sabedorias.
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Hoje pela manhã ao passar na esquina do centro, vi uma pessoa sentada num banquinho. Ela toda animada, dizia as pessoas que havia chegado de outra cidade. Lá tinha visto muito progresso e felicidade. As pessoas de lá, eram bem de vida. Ganhavam muita grana, dava para ver em seus rostos, e ter a sensação de um mundo cheio de maravilhas. Mas, continuava falando, dizia que não se deu bem lá, tinha saudades de sua terra natal, e voltou. Quase se perdia no saber e pensar, naquele outro mundo. Era uma estranha. Não tinha educação, aquilo lá era o ganha pão.
De vez em quando, ela conversava alegre com as pessoas, que passava pela calçada, dava-lhe esperanças, contava a estória e dizia a elas que acreditasse na vida, que era uma coisa muito boa. Apesar dos sofrimentos que ela esconde.
Uma moedinha de vez em quando pingava para ela. Ela sorria, agradecia, e fazia uma benção, para que a doadora tivesse sorte na vida.
Eu tomando um cafezinho na esquina vi isso acontecer várias vezes. Aí me levantei e fui saber da pessoa o que ela falava, ela me contou.
Eu fui ver de perto, porque notei que de vez em quando, ela baixava a cabeça e parecia chorar. Quando estava só. Achei que estivesse sofrendo.
Enquanto eu falava com ela, chegou um de seus fregueses. De perto eu vi o desenrolar de seu discurso. O freguês se foi, ela retornou a atenção para mim.
- No que você acredita? As pessoas que passam lhe entendem? Por que você chora de vez em quando? – friamente perguntei, curioso.
- Meu amigo, faço isto para ter minha comidinha de todo dia, a cidade que falo não existe, sou do interior desse estado, nunca soube o que é viagem, a não ser esta em que vim parar, noto as pessoas solitárias no meio da rua, conto uma estória bonita, de um sonho, e dou uma pitadinha de dor, acham bonita a conversa e as vezes me vendo triste elas tentam me agradar.
- E por que chora de vez em quando? retornei.
- Por que sei que mentindo e enganando é como ganho meu sustento. Minha estória não existe, você sabe.
Sai duvidando, se ela me contou a verdade.

sábado, 22 de agosto de 2009

Solitários…

Andando pela praia na manhã de sábado passado, vi umas borboletas sobre o mato, em Tambau. Eram amarelas, misturavam-se às flores, também amarelas.
Um menino com uma espeto de pau, envolto na sua extemidade, por um saco de filó, amarrado por um arame, corria atrás delas, tentando capturá-las.
Disse a mim que estava querendo prendê-las e depois de mortas iria colá-las numa folha de papel pautado, para fazer um trabalho escolar.
Eu falei para ele:
- Jonas, que tipo de trabalho você vai realizar com estas borboletas, que está caçando, você está na quinta-serie, não lhe ensinaram ainda que devemos deixar os bichos soltos em seu habitat natural, ao invés de matá-los como você pretende fazer? - falei receoso da reação do garoto.
- Moço, isto é culpa do professor, foi ele que me pediu um trabalho de ciências sobre a vegetação de nosso litoral. Pediu que fosse ilustrado. Então como faz parte do assunto, resolvi incluir as borboletas que junto com as plantas também são parte importante deste ecosistema, ajudando na reprodução delas...
- Entendi Jonas, mas você poderia tirar umas fotos delas ao invés de matá-las. Colava as fotos da borboletas voando sobre as plantinhas, no trabalho, assim não gastaria tanta energia, caçando-as; bastava apenas uma máquina fotográfica. Concorda comigo?
- Ah, já estou abusado de sua conversa, vou é fazer do meu jeito, desculpa. Vá cuidar de seus assuntos e me deixe com os meus - disse ele e se afastou de mim, todo suado da correria e chateado comigo, da minha lição.
O garoto continuou a sua caça, pegou duas borboletas, colocou-as num vidro e se foi.
Segui meu caminho chateado pelo fato de o garoto não haver me escutado.
Na segunda-feira ...
- Jonas, seu trabalho está muito bem feito, adorei a ideía que você teve, porém deu muita ênfase à questão das borboletas - no que discorreu muito bem, faltou no meu ver você aprofundar-se no assunto pedido, que era sobre a vegetação da praia, vai ficar com seis, como nota - disse o mestre, na última aula da manhã.
Jonas saiu chateado no fim da aula. Do lado de fora, pegou o trabalho e jogou-o no lixo na frente da escola.
Os colegas riram dele, a raiva aumentou.
Ele brigou com os meninos e saiu sozinho, caminhando, pela calçada.
O sol estava bem quente, o que o chateou ainda mais.
Chegou na sua casa se trancou no banheiro.
- Que dia infeliz! - disse ele em voz baixa olhando para o espelho, o rosto suado, após a caminhada para chegar em casa.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Merda, indignidade de uma população, sem jeito.

O natural na Terra é descer, não subir.
Negros não sobem, são duros.
Brancos sobem, são leves.
O problema do peso deve estar no invólucro, enrijecido pela vida, deixando marcas no couro.
A natureza tira a dignidade do branco e do preto. Nos bojos públicos ou privados.
As cinzas, depois da queima, ficam desbotadas, e desaparecem aos ventos, como por exemplo depois da queima do milho, no São João, enterrada a madeira no chão seco. Que acolhe outras coisitas mais.
Absorvente de corpos, pós-vidas. Produzindo um ambiente adequado a putrefação do luxo de ter sido gente.
O seco morre todo dia, o verde aparece, aos poucos, para não dizer do destino à todos, que não o notam.
Glória é ter ramos na cabeça, sendo de qual cor que seja.
Cumprem-se todas as regras, para ser vencedor, para vender em palavras a magia do super-homem, honesto, batalhador, herói.

Um ser deixou marcas, nem brancas, nem negras, passou e pagou o que os outros deviam.Cobram agora de quem metem a culpa pela sua morte. São podres capitalistas.
Outro caiu, levando, ou melhor, trazendo milhões de coisas novas consigo, e espalhando frutos nas feiras livres. Com seus soldados valentes e de poucas falas.
Pouco depois, muitos homens, se viraram em bichos, esperando serem borboletas do futuro, na fé. Arrancados da sua miséria natural e abundante, da qual não tinham domínio.
Chegaram num país distante, e só restava a eles a esperança de adorar os seus deuses, para não enlouquecerem pelo ódio, que a vida lhe deu de presente.
Problemas duram muito. Soluções são gozos, muitas vezes esquecidas pelo tempo.
Soluços são gazes nervosos, ou espasmos, de uma boca que deixou entrar muita coisa para o interior, as vezes pela ganãncia não pela fome.
Um prefeito que tivesse o domínio, diante da razão observada na humanidade que o rodeia, podia junto de tantos assessores, dar caminho a sujeira da minha praia.
Acho que a questão do sofrimento, não é comum as raças, quer sejam grupos maiores ou menores. A dor como a catinga termina acostumando o cabra valente.
Toda dor se grita, e as vezes até dá dinheiro, e poder.
Mas o que dizer da falta de dignidade de poluir um mundo gigantesco, como um mar.
A cor nesta hora não faz a menor diferença, eu acho, o problema é a poluição, que priva a todos do gozo de um banho salgado e quentinho perto de casa.
Dizem por aí que existe um troço, que poderia arranjar uma melhoria a este problema, uma engenhoca, que não permitiria que os cuneformes fecais abundassem em Manaíra, nosso mundo Tornando-o mais agradável.
Esse problema deve ser causado pela pobreza imensa, da falta dos recursos, e isso até agora não foi resolvido.
Bastaria comprar pre-moldados de concretos e armá-los, com máquinas e trabalhadores claro, e mandar a sujeira para bem longe, bem distante, mar adentro, para que a merda abundante não deixasse suas marcas nesse vizinho (que somos nós) do cartão postal, a famosa Tambau.

INTERVALO - MERDA (CAETANO VELOZO) OUÇA ( BASTA CLICAR NO LINK ) ...Download this MP3 - (Right Click)

Pode ser que eu esteja desinformado, desculpem-me a ignorãncia, talvez este sub-produto dos alimentos que ingerimos diversas vezes, esteja sendo elevado por alguma estação bombeadora, morro acima, e despejado em algum
lugar, podre, sem ser na nossa linda praia e bairro.
Os engenheiros são pessoas inteligentes, eu acho, e as vezes assessores também.

domingo, 21 de junho de 2009

Barquinhos ao mar, portos seguros a buscar.

Minha amiga de quarto Severina, morava ha uns cinco anos atras com sua tia numa cidadezinha do interior, aqui perto. A coitada sofria bastante la com ela. A mulher a tinha como uma escrava, e ate batia nela, quando com sua preguiça de não fazer nada, após exigir muito, a deixava estafada.
Hoje ela nem gosta de falar disso para não sofrer novamente.
A velha morreu fazem uns dois anos, Severina providenciou de tudo, para lhe dar um enterro descente.
A politica da tia de severina era espalhar pontos negativos sobre a vida dela, alem dos maltratos que a molestavam diariamente. Isso a desorientava, e cada vez mais a velha exigia e deitava.
Temos um barzinho hoje em dia, são muitos fregueses nos fins de tarde, todos se encantam muito com a gentileza e simpatia da minha amiga, quando vem me ajudar nele, enquanto seu filhinho esta estudando na escola.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tambaba, num dia de muito sol.


- Que sol danado alemão, vamos para baixo daquela barraca alí, ja tou queimado demais.
- Fica frio Helmany a coisa aqui tá boa demais, olha aquela garotona ali, visse os seios dela? Que lapa! Danadinha !!!
- Claro seu idiota, onde nós estamos, aqui, tu não notou? Tá todo mundo nú.
- Ih, tinha visto alguma coisa estranha mesmo, mas que coisa, é de nudismo é?  Tou piorando mesmo, bem que o doutor falou para mim, minha  doença não tem cura, vou deixar de beber amigo. Ainda por cima perdi a compostura total, encarando o corpitcho daquela gatona, eu não podia fazer essas coisas. Será que ela viu? Tú acha?
- Fica ai, volto já, alemão.
- Tá, tú não quer que eu va também, Hermany?
- Fica ai se divertindo com a garotona – falou Hermany e se foi, para a sombra.
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- Tudo bem amigão, agente se vê daqui a pouco, tchauzin.
Três horas depois, já anoitecendo ...
- Meu irmão, me lasquei todinho, tou virado num pimentão, vamos embora, fui comido pelo sol, fiquei em carne viva. O melhor era ter aceitado o seu convite para nos protegermos do sol, naquela hora quando você me chamou – disse o alemão bem aperriado, com cara de sofrido.
- Vamos abestalhado, o que você ganhou com tua burrice? Veja só, você não estava vendo, mas enquanto estava ai, torrando, eu estava falando numa boa, com três gatas, elas gostaram muito de mim e me chamaram para irmos pegar um cineminha básico na praia, mais tarde. Depois disseram que estavam para toda obra, iam faltar horas para nossas brincadeiras. Agora vem a parte ruim para você, querem exclusividade, você está fora, amigo. Desculpa, sinto demais isto, não aproveitaremos juntos desta vez a  noitada.
- Puxa, é mesmo, eu fui muito apressado e ganancioso, mas também amigo, a mulher ficou tão pertinho de mim que dava para eu sentir o cheirinho gostoso dela. Foi demais a proximidade, o problema é que fiquei assim, como voce esta vendo, que merda!!!
- É , pau que nasce torto nunca se endireita, vamo , inocente ...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Um calango mudou tudo, mas não foi tanto assim, já estava acabando.

Zezinho fez dezoito anos na segunda-feira da semana passada, ganhou cem reais de presente dos pais para ir à boate com os amigos, conforme tinha pedido, para comemorar a data.
Na boate, dançou com suas amigacalango-aceso-acusticos com quem costumava frequentar as noites. Dançou até às tres da madrugada, até forró rolou, não descolou nem pensamento bom.
Chamou seu colega para ir embora, com uma idéia brilhante.
- Francisco tenho uma idéia, ainda tenho setenta reais, tem uma casa noturna aqui perto excelente, dizem que só tem gata de primeira lá, e cobram pouco por um programa.
- Vamos embora Zezinho, meu amigão, disse seu colega.
Atravessaram o quarteirão e chegaram no paraíso, que seria o fim da noite deles.

Logo descolaram duas garotas, após verem elas no queijo dançando, não beberam nada lá, pois se fizessem iam ficar chupando dedo, sem os finalmentes. As meninas tinham por volta de dezenove anos por coincidência, e eram loirinhas, lindas.

- Onde vocês sugerem que vamos? A grana só dá para o básico, vamos ter de ficar no mesmo quarto, me restou apenas vinte mangos, tirando o de vocês duas gatinhas lindas, palavras de zezinho. E se foram, contentes caminhando.
- Aqui perto, amores, tem um lance bem baratinho, disse uma delas. Acho que vocês vão gostar, sem luxo, uma cama de casal e ventilador de teto, com um banheirinho, tudo bem simples mas dá para o gasto dagente, lindos.
Franciscão ja todo animado, quando passou por uma banca de revistas, comprou uma de sexo tântrico. Coisa de última moda, pensou ele.
- Cara vai ser demais, uma noite arretada, se conseguirmos fazer essas coisas. Olha só, cada foto. E as modelos, parecem com vocês, princesas – falou, e meteu um beijo na sua.
Conseguiram ficar num só quarto os dois casais, rolou de tudo, a revistinha dava a eles noções de como melhorar as coisas.
Quando já estavam perto de sair, um calango botou a cabeça embaixo da
Quarto%20Casalcama, uma das meninas meteu o pé em cima e deu um grito danado. Resolveu ir embora chamando a outra.
- Vou embora, foi bom valeu, espero que nos vejamos novamente, é só vocês irem novamente lá onde nos pegou, não vão ficar chateados não é? - falou a mais cansada das duas, a que pisou no bicho.
- Tudo bem - disse Zezinho, já está na hora mesmo.
Acabou o aniversário do rapaz, e o dinheiro também.
- Puxa Francisco, você não tinha nada que ter comprado aquela revista, eu estava pensando numa coisa mais light, você deixou as garotas doidas. Além de tudo, ainda quis ficar com a minha, da próxima vez acho que você está fora. Não gasto mais um centavo com você.
- Vai te catar garoto, eu tenho culpa de você ser broxa, eu é que não saio mais contigo, boiola.
E nunca mais sairam juntos desde aquele dia.

sábado, 6 de junho de 2009

De volta, após o frio da rua.

Acordando.
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Já eram por volta das três horas da tarde do domingo. Havia me acordado havia pouco tempo. Não almocei. Tomei um copo de leite com bananas e me senti satisfeito com aquilo, pronto para aguentar até o jantar.
Disse a Marcelo que ia à casa de meus amigos, para juntos assistirmos uns vídeos novos que tinha baixado da internet. Tinha de tudo nos arquivos, nós íamos aproveitar bastante até a noite quando pretendia voltar para minha casa, resolver a situação do dia anterior. Achei melhor aproveitar um pouco mais minha liberdade momentânea.
Me despedi de meu irmão e saí.
Já na rua, peguei meu MP4 e liguei, meti a mão no bolso e vi que tinha deixado o cabo em casa, ia complicar para passar os vídeos para o PC de meu amigo. Quis voltar para casa naquela hora, aí resolvi que não deveria voltar por enquanto, devia dar mais um tempo, até enfrentar aquelas ferinhas, querendo me morder, junto com a patroa brava. Minha família.
Também não fui á casa dos meus amigos, fui em direção ao Parque, remoer a confusão da mulher.
cde
Procurei um banco para sentar, passei pela árvore da madrugada anterior. Lembrei de Madá, e do que fizemos alí embaixo, juntinhos, sem culpa nenhuma entre nós.
Veio à minha mente aquela sensação gostosa de estar ao ar livre namorando, sentindo o ar frio, o ruído de folhas ao vento, além do corpo quente e macio da companheira da hora.
De repente lembro da coisa me tocando, quando eu estava bem relaxado, no meu romance. O ratão gordo, segundo Madá.

Vista, e cheiro.

Achei um banco, perto dele, vi um ratinho podre, na beira do lago, com formigas a devorar sua carne, e alguns tapurús brancos por cima. Fui me afastando um pouco devagar. Senti o mau cheiro da degeneração daquela carne.
Era cedo ainda, sentei e comecei a armar uma conversa e possibilidades para resolver o meu problema doméstico. Escutando músicas pelos headphones.
jyt Ainda dava para avistar Jureminha - a ratinha. Ela acaba de receber a visita dos seus três filhotinhos, da sua última ninhada.
Pareciam buscar em seus peitos o leitinho para saciar o que lhes matava, querendo mamar como estavam acostumados.
A ausência repentina de sua mãe, dava-lhe pouco tempo de vida. O instinto animal os levou até ali. Numa longa procura.
As formigas que comiam sua mãe mordiam-lhes nos focinhos, eles soltavam um grunhido, mas continuavam insistindo, no ato de procurar sulgar os seios da defunta, ignorando tudo de ruim dali.
No céu, bem do alto, começa a descer um urubú enorme, sentindo a oportunidade de saciar-se. Aproxima-se do corpinho no chão, os filhotinhos fogem, assustados com a ave.
Um deles, não consegue, torna-se a primeira refeição do gigante negro.
Os outros, com certeza também irão encontrar um fim doloroso, mas diferente. Espalharam-se pelo Parque, correndo da morte.
 
A ave de rapina olha o ser que despertou-lhe o desejo, começa a devorar-lhe, arrancando-lhe os pedaços.der
Vejo a cena, e fico observando o urubú trabalhando, limpando a grama do Parque.


Voltando.

Já estava anoitecendo, me levantei, já tinha no pensamento a idéia do que ia fazer, quando chegasse em casa.
Andei mais um tempo pela cidade um pouco além do cair da noite, respirei fundo e fui para meu lar por meu plano em prática.
Bato na porta, a patroa abre, ainda de cara feia ... 

… a esperança da solução está perto, na próxima rodada, vamos ver se acertei …
até breve.

Sonho pesado, dia triste.

Início Romântico.


Eu e minha amante Madalena, fomos em uma noite de sábado ao parque da cidade. Sabíamos que ninguém nos veria lá. As pessoas não costumavam frequentar lá de noite, era perigoso demais.
O fato de nós estarmos naquele lugar - o que não seria comum (pois sou uma pessoa comprometida), foi que eu tinha brigado com todos na minha casa, fiquei com muita raiva, e resolvi passar a noite fora, longe daquele ambiente hostil.
Aquilo ali tinha se tornado para mim horrível, um inferno. Com minha companheira e meus filhos em ataque feroz.
Disse ao pessoal que ia para casa de meu irmão. Saí revoltado.
Quando cheguei na casa de Marcelo, antes de entrar, avistei Madá, coleguinha de longas datas. Ela estava sentada na calçada, perto da casa em que eu pretendia passar aquela noite.
Eu a chamei, conversamos, e a convidei para saírmos juntos. Contei para ela da minha situação, estava muito chateado, queria desestressar. Ela me entendeu e nós fomos adiante.
O local ideal naquela noite já estava em nossas cabeças, já o havíamos experimentado outras vezes. Fomos em frente, juntinhos, aproveitar a noite enluarada, a sós, no nosso cantinho público e discreto. Era o Parque Municipal, uma enorme área verde, das proximidades.


Passamos a noite toda namorando deitados na grama, embaixo de uma árvore, bem frondosa no local, protegidos do sereno.
Passado muito tempo, já surgiam os primeiros raios de sol, estava amanhecendo, nos encontrávamos neste momento nas despedidas. Beijávamos-nos muito, Madá em meu colo e eu curvado sobre ela, fazendo carícias e dizendo palavras de amor, falando suavemente.
De repente sinto uma coisa tocando em mim, Madá se virou deu um grito e de um pulo saiu correndo, eu corri atrás dela. Disparamos numa correria danada, saímos do parque, esbaforidos, mas sem testemunhas de nossa noite romântica.
Não tinha visto o que me tocou, a minha companheira disse-me que era um ratão enorme e bem gordo.
Deixei ela em casa e fui embora, para casa de Marcelo - meu irmão, ainda suado da correria.


O Retorno.


Após pouco tempo, o animalzinho retornou, havíamos deixado restos de um cachorro quente, que comemos no lanche, farelos e um inteiro que abandonei lá.
Abundavam pedaços de salsichas, de pão, de carne, enfim, uma festa para o bichinho.
Ele devia estar faminto e nos tocou, em busca de sua refeição, despertado pelo cheiro apetitoso do alimento. O instinto deve ter dado coragem a ele para nos expulsar, daquele jeito.
Pouco tempo depois chegou a companheira de Sinfrônio, a ratinha Jureminha, os dois juntinhos se esbaldaram nos restos de nossa refeição. Encheram a pança, como nunca.
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Pobre Jureminha, não demorou muito, arriou, passou mal e morreu na clareira junto do lago. Tinham ido tomar água, depois de toda aquela comida.
Sinfrônio permaneceu junto dela, amargando aquela cena triste, não aguentou depois de horas de sofrimento e se foi, deixando a companheira ao sol das onze.
Ela já começava a feder.
O efeito do mal-cheiro fez o ratinho se afastar, além de todo sofrimento que experimentou da perda de sua companheira de longas datas.
Ele havia ficado umas três horas do lado dela, sem saber direito o que houve, pois com ele nada tinha acontecido, estava em forma e satisfeito
A podridão foi resultado da quentura do dia, do sol forte.
Era o pós morte de Jureminha.


Breve Conclusão:


Eu, como narrador desse triste momento no parque (Juarez - o antecessor e causador da tragédia, o amante de Madalena), tomo a liberdade de concluir que no meio dos restinhos de que se aproveitaram os bichinhos, como alimento, deveria haver algum caquinho de vidro ou algo intoxicante, e a pobre Jureminha sem tomar consciência da matéria, a absorveu.
Deglutiu sem nem saber, sem nem sentir, o veneno, motivada pelo sabor da refeição farta. Chegou àquele estado fatal, em que se encontrava, corpo abandonado, inerte, sem Sinfrônio, sozinha junto ao lago, ao sol ...


Em breve o segundo momento disto tudo ...

domingo, 31 de maio de 2009

Domingo foi desse jeito

Oi, só videos, ok?

Um ...



Dois ... (se quiser pode pular esse, rsrs).



Eita, errei, era esse o outro, o seguinte:

Três ... ( continua ... )



Desculpa, mais foi bom, valeu.

Boa noite. Até !!!

Mary Jo e Sol, com Adolfo, no último verão

Um dia lindo, tudo perfeitinho, já eram nove horas.
Maria Joana, se descobriu, sozinha no seu quarto e levantou-se.
Abriu a janela, que não deixava a claridade do dia entrar, no seu quarto quando fechado, nessa situação ali para ela era sempre noite.
- Mãe, vou à praia, você quer ir também - disse ela a sua única companhia da casa, enquanto comia uma torrada com um copo de leite.
volei 1
- Vou não filha, pode ir, tenho uns trabalhos para fazer hoje.
Maria Joana estendeu sua canga na areia, e se virou de costas para se bronzear.
Sol estava tomando um refrigerante na barraca e de longe viu a amiga.
- Oi Jô, tudo legal? Está linda nesse biquine básico e mínimo, acho que está inaugurando hoje, mas, você tinha dito que não vinha hoje tomar banho de sol, que ia estudar - disse a amiga Sol.
Se sentou junto a Joana, tomando o resto do refri, e ficou olhando o pessoal na praia e no mar.
Adolfo chegou junto das duas, já fazia mais de uma hora que elas falavam abobrinhas, do fim de semana que tava acabando. Sentou do lado das garotas.
- Vamos dar uma voltinha na praia perto lá de casa meninas, está tendo um campeonato de volei de praia, uma etapa do nacional, deve tar bombando lá hoje - falou Adolfo.
Elas concordaram e se foram, já passava muito das onze da manhã.
Acabou o jogo. finzinho de tarde, foi tudo muito legal, a dupla vencedora foi a de Alagoas na final, os colegas não gostaram do resultado, estavam torcendo pela dupla local. Foi deixar as garotas em casa. Luau
- Bom gente, acabou o dia, foi bom demais, ter vocês como companhia. Próximo final de semana vou fazer uma festinha lá na casa de praia da minha família, quero contar com vocês lá. Já tenho pra lá de vinte colegas confirmados, muito som e brahma pra todo mundo, tudo na faixa. Relmente seria demais se vocês fossem - falava Adolfo no caminho.
Parou o carro na frente da casa de Jó, as meninas desceram ele esperou elas entrarem e se foi.

Adolfo passou o dia paquerando Sol, mas não rolou nada, as esperanças dele ficaram para o próximo fim-de-semana, claro, se suas amigunhas da praia forem à festa que ele convidou.
Jô sozinha no seu quarto escuro, passou um tempão pensando em Adolfo, antes de cair no sono, e acabou sonhando com a festa para que foi convidada, junto com sua amiga.


Memórias

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Alazado

Ia passando na Rui Carneiro quando um animal me chamou atenção, era Alazado, o cavalo azedado, como o chamavam.
Comecei a ficar íntimo dele, porque umas duas vezes ou mais por semana, o via comendo seu capinzinho no pé da barreira da subida do bairro.
Onde Alazado estava sempre? Dentro de uma casa de shows de uma assembleia religiosa.
Ele parecia ser velho, o pêlo era cheio de falhas, marrom e malhado, meio feinho, mas era bem gordinho. A abundância da vegetação proporcionava ao animal, dito cujo uma vida folgada.

Coisa boa, Alazado, não tinha do que reclamar, vida de cavalo nem sempre é ruim.
Pois é, o bicho podia ser feinho, velho, meio acabado pelo tempo, mas tinha uma saúde de ferro. Gordinho ele.
Nem todos nesta terra tem a sorte de Alazado, o cavalo azedado.
Toda vez que passo lá, olho para ver o bicho, nem sempre o vejo. Coisas do destino.
Valeu, até.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um ponto, em uma questão.


Um moreno de barba me olhou fortemente na rua hoje.
Nesses tempos difíceis de terror, me assustei com aquele homem me reparando firmemente.
Passei por ele, deixei-o para trás e aquele momento ruim.
Andei uns dois quarteirões.
Senti uma pressão nas costas.
- Não se vire, já são mais de dez horas da noite, na rua ninguém vai te acudir agora.
Gelei. Minhas pernas pareciam borrachas sem ossos. O suor, escorria pelo meu rosto.
- Para todos os efeitos, esqueça de mim, e da noite de hoje. Já te conheço bem. Sei onde você vai. Onde você mora.
Eu havia saido apenas para comprar cigarros, já não sabia se voltaria para casa.
- Por que você acha que estou lhe fazendo isto? Não entende?
Tive vontade de me virar olhar o homem de frente e acabar logo com aquilo. Perguntando o que ele queria. Eu só tinha dez reais no bolso. Nada mais.
- Oha, sei como tu vive também - falou.
O estranho só faltava soprar palavras em meus ouvidos. Mas meu medo já estava passando, a cada passo que eu dava, com aquilo em minhas costas. Este devia ser este o seu objetivo, que eu perdesse o medo.
- Não se grila, não vou te fazer mal. Tu não sabes como vivo perto de você.
Aí, me virei. O homem estava com um capuz preto na cabeça. Me deu o revólver. Estranhei.
- Você vai me fazer um favor imenso. Quero que pegue a arma, vamos até aquele terreno escuro e cercado. Mate-me.
Eu, me senti mal, durante toda a caminhada, com aquele cara apertando aquele objeto às minhas costas, claro.
- Chegamos, atire.
O homem se virou de costas, deu uns passos adiante. Encostou-se com o rosto colado na parede escura, no fim do terreno e tirou o capuz.
Eu atirei. O cara caiu no chão. Estava morto.
O problema disto tudo, é que atirei para o chão. O homem morreu do susto. Caiu de costas. Rosto para cima.
Ao ver seu rosto, vi nele um velho de mais de oitenta anos. Entendi o motivo de sua morte. A emoção de a sentir (a morte pelo som), após o estalido, fez seu coração bastante usado, parar.
Não o conhecia, nunca o tinha visto antes.
Pensei que tinha atirado para assustar o moreno de barba, que havia passado por mim e me aterrorizado antes, não era ele.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Charlie's

Um mundo lindo o seu.
A promessa chegou para você.
Cidadã modelo, dona do mundo, a derradeira obra.
Sabe, Mona Lisa, você com toda essa beleza, devia ter gozado mais.
Aproveitado cada centavo que ganhou, vendendo idéias, sonhos e amigo(a)s.
A Revolução lhe pertence.
Sua alma necessita desesperadamente dela.
A outra que você tanto deseja, deve estar muito longe, para você destruir todas as existências ao seu lado.
O mote, que você roubou. A vida que você secou. Foi uma construção alheia à sua vontade.
Você Mona Lisa, sorri, porquê sabe que mente.
Um rico mente. Um vencendor sendo humilde, também mente. Um coitado chorando de dor, serve-lhe, para você rir um pouco mais.
O sangue que tu diz ter, não tem.
Tudo o que tu ama está fora.
Onde estará o seu amor Mona?
Acho que em uma ilha deserta. Sem poderes. Sem patrões. Sem estruturas que te amarrem. Te prendam.
Mona, teu discurso é lindo.
Mas acho-o impraticável.
É a estória do 69.
Quem amou, amou.
Agora, você, com essa idade, querer tudo de novo.
Deve ter se arrependido de algo.
A América Mona, não é tua, não é nossa.
Será que ela foi uma pessoa do mundo?
Você não é Mona. Não sabe disso?
Poderooooooooooooooooossssaaaaa ....

sábado, 28 de março de 2009

Medo de nada.

Do lado de cá não vejo o que aconteceu, apenas a fumaça subindo ao céu. Uma murada branca alta me separa do barulho que escutei.
Meu receio de observar algo ruim, não permitiu a minha curiosidade prosseguir na missão. Após o barulho, ouvi uma correria.

O fato é que pode não ter sido o que imaginei, eram vozes de crianças correndo, como se fugissem de algo, após o estrondo abafado e alto.
beto
Sentei, e encostei as costas na parede, cheia de pregos em cima, para que ninguém se atrevesse a por as mãos sobre ela.

Gritos! Escutei gritos!

As crianças estão voltando?

Continuo encostado na parede. Minhas mãos esfriam. Penso em algo ruim. Como se elas tivessem a sair em busca de socorro para alguém, e voltassem. Talvez um acidente. Uma coisa feia.

Para não ver o que aconteceu me levanto e vou-me saindo, lento e devagar, tentando não fazer barulho.

Sigo em frente, e dobro em direção ao lado do muro que me separava do que temia, ia para casa de um amigo.beto

Olho, para o espaço que imagino ter acontecido tudo, e, estranho, não vejo ninguém.

beto

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pop ou rock? Hard da pra tú … ?

Algo acontece em meu coração, quando ando pelas ruas da cidade e vejo garotas como você.
Lindas, perfumadas, muito bem vestidas.tata
Que tal seria se todas fossem iguais a você?
Seria chato? Insoço?
Para quem? Para você claro.
Tem gente que adoraria ver muitos clones.
Mulheres semelhantes ao que a pessoa que gosta de mesmices e que criou um modelito quer ver sempre.
Sabe?
Cansaria uma de cada vez esta pessoa, mas ele ia variar em cada uma das iguais.
O gosto não muda para este ser especial.
O que muda na pessoa desejada é o cansaço quando aparece nela.
Clone serve muito bem a esta tarefa desejada.
Então, suponho eu, sua imagem nunca morreria.
Morreria você, pessoa única, igual as suas iguais.
Entendeu?
Isto seria péssimo para sua auto-estima, individual.
Você seria uma pessoa acomodada, e descansada de ser algo desigual, mas útil. Até cansar. Mas descansaria, com certeza, por tempos, sua igual lhe substituiria.
Não para todos. Ou para alguns … Isto assim pode ser real.
Os que adoram imagens. Não você, ser individual.
Uma pena você não ser tão liberal, e admitir diferenças e querer ser igual. E se permitir a modelos humanos e belos. Sem nada por dentro, só por fora, sem ser diferente.
casting1Com certeza isso te deixa ressacada.
Enjoada.
Como você foge disso?
Um vício resolve isso para você. Um vício hoje pode tornar-te virtuosa amanhã.
Desde que você não seja uma pessoa aniquilada por ele.
Um vício, vicia por dar prazer. O problema todo é este. Te torna dependente de um gosto que você adora, que te faz relaxar.

Uma bebida do além, que te deixa leve e solta, como pessoa. Um ópio, como futebol.

Talvez um gosto pessoal.

Mas como de médico e louco todo mundo tem um pouco. As experiências podem ser positivadas. Não te destruindo. Apenas te alimentando.

Um veneno pode não matar, se a dose for pequena. Concorda?
Muitas iguais a você mataria qualquer um, mesmo que tu fostes a beldade universal. E enjoasse do objeto que tu provou e não gostou.

Vícios podem ser hinos de estilos ou atitudes. Para variar e sair da realidade social, urbana.

As variedades sonoras e rìtmicas, te fazem viajar, em pulsos de ondas.
O pop é um veneno, que todos tomam de vez em quando. O rock, nem todos tomam, mas, talvez uma dosesinha (de idéias) de vez em quando não mata, não agrida tanto tua doce natureza. O hard, pode ser punk, ou um melzinho como um som emo (música da hora).

Um legião, um nirvana ou um chemical brothers se não me engano, variam ou não de tendências lógico-racionais, mas todos te levam à uma abstração da vida.

Mas acho que você deve gostar de forró, não é? Sua identificação com a Barbie regional não precisa de cor mas de um hino. Para ser igual.

O requebra, tem que ser bem barulhento, não precisa deixar nenhuma mensagem no seu coração, nem ódio, nem amor, nem moral.

Igual a você não tem mais ninguém, num rebolado, você é tudo.

Oxi, bom demais !!!
Beijinho, beijinho, xau, xau. Boa noite cinderela.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O Melô do Político Levando do Bêbado.

Hoje dia 2 de novembro de 2006, está acontecendo um comício de um candidato à prefeito aqui na praça da minha cidade.
O candidato, no palanque, estava todo inflamado, acusava o opositor, (que queria retornar ao posto),  de desvios da verba da educação, na gestão anterior à sua.
De repente no meio das quase 50 pessoas que ouviam o candidato à re-eleição, um bêbado, eleitor do opositor (prefeito anterior), gritou lá do meio.
- Como?!! Safado, ladrão é você. Seu tarado.
O candidato esbravejou:
- Sou ladrão sim, porquê posso tampinha. Robo, mas faço.
O cara, cheio de lombra e puto olhou o candidato e disse:
acd
- É por isso que todo mundo transa com tua mulher na cidade, viado, tu não tem moral nem para ela.
O candidato parou,  pensou, e atacou:
- Olha cara, para tú ter o prazer e o direito de provar da minha mulher, e provar que eu sou poderoso, te dou cinquentinha do que roubei, para você mostrar que é homem como eu.
As pessoas ficaram estupefatas na praça, vendo este diálogo muito baixo. Começaram a tomar partido do homem do chão, ao lado deles. Vendo o descontrole do desejoso, discursante do palanque, ao retorno.
O bêbado, macaco velho, de noitadas das boêmias, despejou:
- Seu nojento, sei que sua mulher é muito gostosa. Eu já provei dela de graça muitas vezes. Meus companheiros de farra também, além dos seus traíras, enrustidos. Afinal, como todos sabem, V. Sª só fez roubar, e dar para os seus. Não teve tempo, para a coitada. Mas, só para fazer o mau, e sabendo que, se voce nao é macho para ela - como todos sabem - não pode ser mais para ninguém; e já que chegaste à este ponto, de oferecer-la em praça pública. Vou provar sua força. Conhecida de todos nesta cidade. Faço isto em você, bgt com ódio, mas tem que ser bem caro, com camisinha e tudo mais. Vou ficar bem seguro, para me proteger dos virus, dos machos que você conhece muito bem. Meio mundo de gente, sabe, de suas viagens, à trabalho. Comentário geral a este respeito. Dê-me, de toda a sua ladroeira - do mandato anterior, apenas dez por cento, da verba daquele contrato superfaturado, que fez para iniciar a construção da escolinha pública municipal. A V.Sª até agora não concluiu, desde o inicio de seu mandato anterior. Assim meu filho, que nao tem direito à estudar, vai ter estudo e vida digna. Vou lhe pagar com este dinheiro, conseguido com muito esforço, depois de meu serviço, uma escola particular para minha criança. Vou ter dinheiro para pagar, com certeza, até ele concluir o 3º ano, do nível médio. Eu vou fazer você babar de tanto gosto, como fiz com tua  mulher, entende? Rôo teus ossos, como você, come nosa carne. Até umas hora, podes crer. Só duas, querido. Chupa cabra. Me aguarde. Também roubarei você.
Soltou um berro de prazer e se foi, satisfeito.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O General e o Soldadinho Nervoso

Na sala do comando Central de Defesa Armada Global, estava o General Fritz. Sozinho na sala, tinha chegado sua hora. Colocou o casaco e se preparou para deixar o recinto, ia ser substituído. Era seu último dia de trabalho o sintema central havia requerido que se aposentasse.
nhyO soldado Lek entra na sala apressado e nervoso.
- General, vc é um bandido. Não podia ter requerido minha transferência para aquele Estado fétido que me mandou através de sua solicitação ao Ministro de Estado. Vai lhe custar caro.
- Quem disse que você pode entrar aqui deste jeito, soldado raso.
- Tenho todos os seus segredos, do que você fazia além do normal no seu posto.
O General partiu para cima de Lek e o bateu cheio de revolta.
Lek olhou para ele, com muita raiva, e o empurrou.
Havia no canto da sala, um botão de alarme, que estava sobre o comando do General em seus plantões. O alarme só poderia ser acionado, se, em caso de segurança máxima e grande risco o Presidente solicitasse que o responsável do momento naquela sala o disparasse.
Em outro local ultra secreto, que nunca ficava em um local certo e definitivo. Haviam cerca de cinquenta militares responsáveis por muitas ogivas, poderosíssimas, espalhadas pelo globo inteiro. Cada um deles comandavam diversas dessas armas.
O código do alarme definiria quantas e quais seriam ativadas.
Após o empurrão Fritz cambaleou, estava meio doente, em um estado emocional terrível. Não queria que aquele momento tivesse chegado. Sua vontade era trabalhar até morrer, fascinado pelo poder que tinha sobre kuyo mundo todo.
Lek revoltado não cansava de lhe esmurrar e empurrar.
Aproximavam-se do local do alarme. Lek não tinha conhecimento do local e do poder daquilo. Não sabia o que era aquele alarme. 
Num último empurrão Fritz cambaleando bateu no alarme, ficou trinta segundos encostado nele. Este era o código para todos os militares na outra sala de comando, em último caso, disparar todas as ogivas.
Fritz caiu no chão desacordado.
Lek o encheu de chutes. Em poucos segundos, ninguém estava mais vivo na Terra.
A ordem tinha sido cumprida com eficácia.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Surubim

Um dia ia passando eu e meu grande amor, após uma festança muito doida, por um beco escuro da minha cidade.
O perigo começou naquele instante.
O que vejo perto de nós?
Um mendigo.
Eu tava eu cheio de cachaça, minha muié também. Putz.
785
Vi o pobre coitado do mendigo que disse que tinha fumado uns charutos e ficou doidão. Ele fedia muito.
Pensei. Que porra esse cara fez?
A coisa tava rebolando e mostrando suas vergonhas, naquele local pobre e fedido, além de escuro e perigoso.
Eu disse a ele que isso não tinha futuro, que procurasse uma assistência, que o ajudasse.
Ele tava quase morrendo de pálido e magro.
A miséria daquela figura me fez ver uma aberração social.
A consciência que ele não tinha do estado que observei nele, fez-me ver um Dom Quixote moderno, sem seu fiel escudeiro imaginário, para quem deveria pensar se despir.
Estava abandonado naquela situação toda.
Horrenda.
Parece ter mostrado-me o inferno em que eu próprio me encontrava, naquele momento, ao lado de minha amada.
Acredito eu, que se ele não acredita no diabo, ou fugia de uma diaba, o que devia ter visto na cabeça dele, para estar daquele jeito, não era normal.
Chegava perto de ser uma figura desumana, um loucura transviada de tudo e de todos.
Ele não devia saber da condição de ser um demônio em brasas, mas devia estar desejando queimar tudo ao seu redor.
Na sua mente corrompida pelo vício, ele pensava que era uma entidade, e achava que tinha o poder de encantar, negativamente quem o visse.
Querendo mentir para todos, negando a positividade de pessoas tristes, que ainda esperavam algo de bom nesta vida.
Carnes expostas e doidas rebolando-se pra todos que chegassem perto, era a desgraça humana, corrompendo a beleza de sonhos, para quem ainda os tinha.
A cachaça deve ter-me subido a minha cabeça de vez, naquele momento. Uma overdose irreal.
Depois dali, nunca mais bebi daquele jeito.
Para não recordar daquela noite triste, acabei meu relacionamente com a pessoa que tava do meu lado naquela hora. Era meu amor.
Perdi-a.
Decidi que depois daquela emoção, sentida naquele beco, que nunca mais daquele dia em diante iria tomar tanta bebida social normal, preferi adotar o cafezinho.
É mais dócil e entorpece menos que as viagens alcoolicas. É uma bebida aceita.
O que eu experimentei naquela noite, não foi legal para mim.
Será que um dia essa a frutinha (o café) que adotei por achar saudável, que decidi tomar torrada, moída e cozinhada, de forma social e decente, também vai fermentar?
Será que ela vai embriagar como uma aguardente forte?
chicara-de-cafe
Transformar-se em um prazer entorpecente, mais potente do que hoje tem o absinto? A bebida poderosa das noites mal dormidas, das boemias vândalas?
O mendigo doidão, se ainda viver, com certeza vai querer provar desta frutinha também, se ela tiver tal alteração em sua apresentação que o deixe mais feio e louco.
Esquecer do charuto que o deixou naquele estado de confusão.
Experimentar uma coisa livre e forte. Se acessível.
Ele vai tentar, eu acho, ficar bem pior, mais poderoso e charmoso.
O charuto dele, não sei se era liberado, o frutinho dos cafezais até agora é.
A novidade pode potencializar o efeito de sua figura, infernal.
Álcool resulta naquilo.
Charuto não sei.