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sábado, 17 de janeiro de 2009

Pacto

Sandra e Alessandro moravam em um edifício na Rua da Aurora, em Changrilá - fictícios esses lugares, para não identificar minha experiência a respeito desses fatos. Uma cidade do interior de meu Estado. Rafael morava desde que nasceu lá, Rafaela chegou havia pouco mais de dois meses, antes do desenrolar trágico de terem se conhecido. Melhor para os dois nunca terem se encontrado.

No primeiro domingo após a mudança, a garota resolveu tomar um banho na piscina, o dia estava lindo, na varanda do primeiro andar se via da piscina, um bem-te-vi, para coroar a linda cena, cantava alegremente. Parecia até que o cantar do passarinho era exclusivo para ela. Sandra trajava um biquine colorido e pequeno, como era de costume entre garotas de sua idade. Estava só, pois era muito cedo e os outros moradores na maioria ainda dormiam, ou não estavam dispostos a descer para aproveitar como ela esta manhã.

Alessandro morava no vigésimo andar. Acordou ,e como era seu costume, do seu quarto, olhou para baixo. Quis ver se tinha algum de seus amigos, aproveitando o dia. Quase sem querer, ao olhar num impulso para a piscina, viu Sandra. Ela tomava sol, numa cadeira. Sabia que tinham chegado novos moradores, mas não que tinha uma garota entre estes.

Tomou seu café, e desceu, curioso, para saber diante da visão que teve, e ter se sentido atraído por ela, algo mais sobre a garota. Se aproximou e falou com ela, se apresentou. Ela sentiu uma coisa estranha, como se sentisse uma força bem atraente no rapaz. Não conversaram muito, pois um amigo de Rafael o chamou para jogar futebol.

Após o encontro, no decorrer da semana, tanto um como outro ficaram ligados em pensamentos, mas não se viram. Como ainda estavam em aulas, e coincidentemente, estavam na semana de provas, não tiveram oportunidade, de se materializarem, e comprovarem, suas idéias românticas, à respeito do que sentiam. Alessandro estava concluindo o segundo grau, ela o primeiro. Não se viram, até porquê, guardavam a imagem um do outro em suas mentes, e ambos eram tímidos, não sabiam como se aproximarem.

Um dia ao pegar o elevador, ao chegar ao quinto andar, a porta se abre. Surgem Sandra e uma amiga, que iam tomar um sorvete. Alessandro, se atreveu a se convidar a ir também. Se conheceram melhor nesse passeio, Ele se disse - quando a amiga foi ao banheiro, não conseguir mais se controlar, Tinha o desejo de ter um momento a sós com ela. Ela de imediato aceitou, e lhe disse que ia ficar só em casa, que ele poderia ir no seu apartamento, para visitá-la.

Nesse dia, um de frente para o outro, sozinhos, não faltava mais nada, e aconteceu. O calor desse encontro, foi tanto, que, do beijo ao sofá, não havia espaço. Quase sem se conhecerem, tiveram relações, que deixariam marcas.

Se encontraram, sem suas famílias saberem, muitas vezes. Não queriam assumir o namoro. Após dois meses, do início do relacionamento, veio a tragédia inicial destas vidas quase infantis. Sandra deseperada, conta-lhe aos prantos, sem saber como resolver a situação, que estava há dois meses sem menstruar. E foi junto com sua amiga, à uma farmácia, fizeram um teste de gravidez, ela estava grávida.

Bom, isso na cabeça de uma menina já é demais, diante da rapidez dos acontecimentos. Mas o pior foi a frieza de Alessandro, ao receber esta notícia. Disse-lhe que diante dos seus sonhos e aspirações na vida, não queria se comprometer com ela, à este ponto, que ela abortasse, seria melhor para os dois.

Ela olhou para ele, viu seus olhos frios, entendeu tudo. Na cabeça dela, ele apenas tinha sentido desejos carnais, com ela enquanto ela o amara. Sentiu um frio imenso percorrer seu corpo, Estava morto dentro dela, o quê ela tinha depositado de bom nos seus sonhos. Um amor eterno acabou. Viu como nojento, todos os momentos que tinham sido maravilhosos , nela, entre os dois,
Sentiu a morte, lhe convidando à se fazer parceira. Enlouqueceu. Disse a ele que nunca mais o olharia, e que não se atrevesse à procurá-la de novo.











Subiu, passou quase uma hora na escada, pensando e sofrendo sozinha, antes de entrar no seu lar. Após toda esta confusão em sua mente, viu que não havia ninguém em cas
a. Foi a sala, olhou para baixo, viu Alessandro numa mesa, à beira da piscina, cercado de amigos e amigas bebendo e se divertindo, nem parecia que ela tinha lhe contado o que contou. Sentiu um ódio imenso percorrer todo o seu corpo, seu desespero multiplicou-se. Olhou para seu ventre, sentiu um calor enorme, prometeu, falando para si e para um bebê, que nem se percebia, pela barriga que ia se atirar.. O homem que lhe fez mal, ia ser testemunha do seu fracasso. Foi a varanda, olhou para baixo e começou a cair. Andar por andar. Alessandro ao escutar um barulho enorme, sem saber o que acontecera, perto, olhou. Não teve coragem de se aproximar, porquê, sentiu exatamente o que aconteceu. Preferiu fugir.

Claro e Evidente

Eu tinha um vizinho de sítio chamado Chico do Tombo, era um sujeito legal, homem simples, de pouco conhecimento, mas muito trabalhador, cumpridor de suas obrigações. Mas Chico, apesar de não ter muitos recursos, pois era uma pessoa humilde, sonhava em se casar e ter uma família, Chico era bem preto, tinha um porte elegante, era alto e musculoso, torneado pelo trabalho diário. Por ser um homem franco, fazia amigos facilmente.

Uma noite, combinamos de ir a um arrasta pé, que ia ter no sítio de Irene, uma mulher danada, fazia a alegria de muita gente nas redondezas. Ela morava com uma filha adolescente. Não ligava para muita coisa não, vivia da pensão do marido, falecido. O homem morreu de uma doença que ninguém até hoje sabe qual foi. Contavam que foi alguma doença do mundo, mas o coitado, que era louco por Irene, não teve nem coragem de se tratar, para não ficar feio para a sua idolatrada. Ela sempre dava suas escapadas e ele nem reclamava. O problema dele era falta de valentia na satisfação dos caprichos amorosos de sua companheira. Vivia fora de casa, trabalhando como vigia noturno de uma delegacia lá na cidade. Depois que ele faleceu, Irene assumiu de vez os gostos dela. Passou a ter os seus encontros dentro de casa, além de ajudar nos encontros das outras pessoas. Dava festas com muita gente bebendo e dançando nos forrós que ela organizava, na sua casa, ganhava um dinheiro à mais com isso.

Então, eu e Chico, como havíamos combinado, chegamos no forró. Ja eram umas dez da noite. Estava uma animação danada, Muita mulher, os homens, bebiam e dançavam bastante com as moças e as coroas que estavam muito faceiras nesta noite. Estava tocando um trio de forró pé de serra, bem bonzinho. A entrada custou um pouco mais caro desta vez, R$ 10,00, por cabeça, mas dava direito a duas doses de cachaça. Logicamente não ficamos só nas duas, pedimos uma garrafa e ficamos num cantinho da sala, só vendo o rela-rela e tomando umas. Quando já era quase meia noite chegou uma mulher bem bonita, Chico logo olhou para ela, e ela o notou. Aí meu amigo partiu para o ataque.

Lançou olhares para a mulher, ela também ficava encarando ele. Depois da paquera, chamou ela para dançar, fiquei olhando, os dois, e também paquerando as gatas do salão. Neste dia eu não estava com muita vontade de dançar. Estava meio cansado, e a bebida não tava descendo muito bem Chico dançou umas três musicas, e quando vi, ja tinham ido para fora da casa, dar uns arrochos. Voltaram pouco tempo depois, ele me apresentou a mulher, o nome dela é Clara, loirinha de olhos azuis, pele bem branquinha. Ficaram conversando um pouco afastados de mim, iam dançar de vez em quando. Passado um tempo, disse a meu amigo que ia para casa, estava meio derrubado das pingas, e moído pelo cansaço. Me despedi e ele ficou lá.

Quatro meses depois do forró, Clara ja com uma barriguinha avançada, foi morar com Chico. Ela não era muito sabida das coisas, meio boba até, apesar de ser uma bela mulher. A vida de meu amigo começou a mudar, decidiu trabalhar na cidade, para cobrir as novas despesas, Tinha umas economias numa poupança, com elas comprou uma moto, e virou mototaxista transportando pessoas para todos os lugares das regiões próximas. Ia levando a vida assim, muito trabalho e amando muito também.

Clara soube no exame que esperava uma menina, e ficou toda satisfeita. Pouco tempo antes da menina nascer, ela estava lendo uma revista feminina, o texto falava sobre o erotismo feminino, os prazeres que advinham, quando o corpo da mulher era bem explorado. Lá no texto, a autora, colocou uma personagem fictícia, para encarnar a sabida da arte do amor. O nome da criatura, era Erótica. Aí, Clara teve uma idéia, diante de ter aprendido tantas coisas maravilhosas e interessantes, resolveu falar com seu companheiro, lhe dizer que ia chamar sua filha de Erótica. Houve uma certa discussão à respeito porquê Chico, apesar de não ser uma pessoa estudada, achava que não era uma boa idéia chamar sua filha com este nome, pois achava que podia lhe causar problemas, na sua vida e no futuro. Como Clara era muito boa na arte da persuassão, conveceu ele, dizendo que o mundo não é assim tão tolinho, e que as pessoas nem iam reparar nisto. Sua filha ia até sair na vantagem. Um nome como este, numa garota, dava-lhe um certo poder, uma superioridade. Retratava a independência sexual feminina. Os homens já de cara ficariam sabendo, que tendo um nome assim, essa garota não era moleza. Pensariam duas vezes, antes de praticar suas luxúrias com ela. Deveriam ter respeito pelos conhecimentos dos quais este nome era o símbolo perfeito, Demonstrando que ali não tinha nenhuma bobinha.

No dia em que nasceu a garota, Clara a chamou pelo nome que achou exato para ela. Erótica.