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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Putrefação nos campos da paz.

Lendo um texto na web, fico pensando que a política e a guerra acontecem nos lugares mais inesperados.
A história que li, narra os desencaminhamentos em um cemitério de uma localidade distante, os fatos narrados me fez ter esta visão de desprezo. Os mortos vivem ao sabor dos poderosos locais, as vezes ao relento, em covas rasas, até amontoados, apodrecendo sem dignidade.
A comunidade local fica muito revoltada ao ver seus entes queridos passando por tal situação após deixar seu convívio e ir a última morada.
O fato deve existir desde a fundação do recanto, onde os negros eram ali enterrados de qualquer maneira, sob as árvores, por falta de outra opção menos humilhante na cidade. Os habitantes herdeiros não tiveram melhor destino que os primeiros, continuando o sofrimento da vida na morte, observada pelos parentes, os líderes comunitários experimentam atualmente as mesmas coisas do passado.
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A superpolução é gritante, o odor se espalha pela vizinhança, os lençois freáticos contaminam tudo ao redor que precisa de água para a vida, ou higienização. Poupando daquela água apenas o consumo para suas vidas.
Muitos administradores políticos interviram para resolver o problema, mas talvez por falta de empenho não obtiveram sucesso.
Os mortos não reclamam dos problema dali, os vivos não aguentam mais. È o plano de fundo do texto, macabro, onde aparecem os defensores público do sofrimento, que sempre lucram, e até se tornam posseiros das terras ao redor. O olhar do sensacional, da novidade disto tudo é que se cria uma cultura diferente, a morte permeia a olhos vistos, o problema existe, ninguém faz nada para a solução, nem com gritos nem com visão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tubarões, nunca tinha os visto de pertinho.

O mar não estava para peixinhos, estava rico de tubarões. A diversidade era grande segundo o instituto que dava apoio as atividades tranquilas dos banhistas. Acho que é para isso que ele serve aqui neste local.
Era meu último dia de visita.
A cidade é muito bonita, cheia de história em seus monumentos, uma diversidade geo-espacial significante, do litoral aos limites - bosques, plantações, indústrias, parques, lagos, até açudes para pescarias, enfim de tudo tinha em abundância.
Achei tão bom o passeio, que não queria esquecer mais nunca dali. Tirei fotos de todas as formas com minhas acompanhantes de viagem. As imagens que mais gostei foram as do hotel. Magnífico, muito luxo, vale tudo o quanto pagarei.
As moças neste dia estavam inspiradas, tanto nas roupas, curtas, transparentes, coloridas, bem alegres: quanto nas gracinhas que faziam.
Discretamente as coisas aconteciam, e eu no centro delas. Me sentia todo bom. Minhas coleguinhas faziam parte de um grupo chamado “Amigos de Viagens”, que tinha na minha cidade. Nos inscrevemos no programa e agora estávamos todos juntos aqui.
Agente se inscrevia, colocava o perfil e através de um processamento e cruzamento de informações, eram escolhidos acompanhantes adequados em número de cinco pessoas. Pelas minhas informações, disseram que este era meu grupo sugerido da forma mais rigorosa possível. A empresa nunca falhou nas escolhas.
Para fechar com chave de ouro estou eu aqui agora, com minhas belas amigas, curtindo o domingão nas areias escaldantes do meio-dia. A curtição continuava.
Apesar do aviso do controle da praia para não entrar na água. Resolvi que para não deixar as minhas colegas esquecerem de meus atributos atléticos, iria mergulhar, que era meu esporte preferido.
Subi em um trampolim muito legal que tinha lá. Acho que a parte mais alta tinha uns dez metros de altura. Pulei, fazendo um mortal duplo de costas, as garotas na areia foram ao delírio com a perfeição estética do ato.

Nado de volta a praia, quando de repente, vejo uma barbatana se aproximar de mim, desesperado, nado à toda velocidade, o bicho não sai de trás, eu grito por ajuda, não tinha salva-vidas por perto.
Sinto as primeiras dentadas na minha carne. Na batata datubnarao-martelo perna primeiro, depois na coxa, o sangue começa a inundar dos lados. De repente, do céu, começa a baixar um helicóptero. Os homens agem rápido e me salvam.
Na minha cidade, já reestabelecido, vou fazer o pagamento da segunda prestação dos serviços da empresa, ainda de muletas.
- Vocês foram demais, o passeio foi incrível, tudo seria muito bom, se não fosse uma coisa. A presença daquele trampolim no mar nos excita a querer exibirmos nossos dotes. Num dia perigoso como aquele, cheio de tubarões, arruinou a minha viagem. Quando mandarem turistas para lá de novo, acho que podiam fazer esta advertência. para os viajantes, tem perigo ali. Obrigado e até o próximo mês, na terceira prestação.

Apenas sinais, retas e curvas.

O auto estava a duzentos por hora na BR, sentia todo o prazer de te-lo nas mãos. Meus pés bem calmos, mantinham a velocidade constante.
Ao passar em um posto de combustíveis, me dá vontade de abastecer o meu motor. Estava precisando descontrair do estresse da estrada com uma geladíssima.
Estacionei o carro, desci e fui experimentar a gelada. A garçonete de vermelho, numa jardineira e blusa branca me diz que não era aconselhável eu fazer isto, a fiscalização está intensa pelo feriado, podiam me pegar no bafômetro.
Não a ouço e peço uma latinha da marca mais barata, o dinheiro que tinha no meu bolso era pouco, não tinha de onde tirar mais ali. Achei o posto esquisito, parecia meio abandonado além de não ter muitas opções.
Estou sentado na mesa e de repente a garçonete se aproxima de mim. Olho fixamente para ela e digo que já estou satisfeito, ia tomar só aquela e prosseguir viagem.
- Meu amor, faça isso não, temos uma bela acompanhante aqui para viajantes, não vai querer?
- Olha, estou apressado, é uma viagem de negócios. Pretendo chegar ainda hoje na cidade de destino e preparar-me até tarde da noite, para a reunião de amanhã cedinho.
- Faça isso não, o senhor não vai se arrepender.
- Mas nem de onde sacar a grana vocês tem aqui. Desculpa, mas não posso, eu acho.
- Tenho uma solução, o senhor deixa o seu telefone e endereço, e depois agente dá um jeitinho. Não se preocupe com os detalhes do programa.
ESTRADA
O homem já convencido perguntou pela acompanhante, e de pronto a garçonete respondeu que era ela. Sorriu, e foi mostrando os detalhes a mais de seus serviços extras.
De manhã cedo o cara se levanta da cama, sente uma dor forte de cabeça, parecia uma ressaca violenta. Depois da aventura, não era mais para ele estar ali, dormiu demais. Lembrou da proposta da mulher e disse falando sozinho, “me ferrei !”.
Ao sair do quarto mofado, no fundo do posto, olhou para o espaço onde tinha deixado sua van, não viu nada, procurou telefones, nada. Foi para a beira da estrada, ver se arrumava uma carona, achava que seria difícil, estava apenas de cuecas. Podia ficar mais encrencado ainda.