Início Romântico.
Eu e minha amante Madalena, fomos em uma noite de sábado ao parque da cidade. Sabíamos que ninguém nos veria lá. As pessoas não costumavam frequentar lá de noite, era perigoso demais.
O fato de nós estarmos naquele lugar - o que não seria comum (pois sou uma pessoa comprometida), foi que eu tinha brigado com todos na minha casa, fiquei com muita raiva, e resolvi passar a noite fora, longe daquele ambiente hostil. Aquilo ali tinha se tornado para mim horrível, um inferno. Com minha companheira e meus filhos em ataque feroz.
Disse ao pessoal que ia para casa de meu irmão. Saí revoltado.
Quando cheguei na casa de Marcelo, antes de entrar, avistei Madá, coleguinha de longas datas. Ela estava sentada na calçada, perto da casa em que eu pretendia passar aquela noite.
Eu a chamei, conversamos, e a convidei para saírmos juntos. Contei para ela da minha situação, estava muito chateado, queria desestressar. Ela me entendeu e nós fomos adiante.
O local ideal naquela noite já estava em nossas cabeças, já o havíamos experimentado outras vezes. Fomos em frente, juntinhos, aproveitar a noite enluarada, a sós, no nosso cantinho público e discreto. Era o Parque Municipal, uma enorme área verde, das proximidades.
Passamos a noite toda namorando deitados na grama, embaixo de uma árvore, bem frondosa no local, protegidos do sereno.
Passado muito tempo, já surgiam os primeiros raios de sol, estava amanhecendo, nos encontrávamos neste momento nas despedidas. Beijávamos-nos muito, Madá em meu colo e eu curvado sobre ela, fazendo carícias e dizendo palavras de amor, falando suavemente.
De repente sinto uma coisa tocando em mim, Madá se virou deu um grito e de um pulo saiu correndo, eu corri atrás dela. Disparamos numa correria danada, saímos do parque, esbaforidos, mas sem testemunhas de nossa noite romântica.
Não tinha visto o que me tocou, a minha companheira disse-me que era um ratão enorme e bem gordo.
Deixei ela em casa e fui embora, para casa de Marcelo - meu irmão, ainda suado da correria.
O Retorno.
Após pouco tempo, o animalzinho retornou, havíamos deixado restos de um cachorro quente, que comemos no lanche, farelos e um inteiro que abandonei lá.
Abundavam pedaços de salsichas, de pão, de carne, enfim, uma festa para o bichinho.
Ele devia estar faminto e nos tocou, em busca de sua refeição, despertado pelo cheiro apetitoso do alimento. O instinto deve ter dado coragem a ele para nos expulsar, daquele jeito.
Pouco tempo depois chegou a companheira de Sinfrônio, a ratinha Jureminha, os dois juntinhos se esbaldaram nos restos de nossa refeição. Encheram a pança, como nunca.
Pobre Jureminha, não demorou muito, arriou, passou mal e morreu na clareira junto do lago. Tinham ido tomar água, depois de toda aquela comida.
Sinfrônio permaneceu junto dela, amargando aquela cena triste, não aguentou depois de horas de sofrimento e se foi, deixando a companheira ao sol das onze.
Ela já começava a feder.
O efeito do mal-cheiro fez o ratinho se afastar, além de todo sofrimento que experimentou da perda de sua companheira de longas datas.
Ele havia ficado umas três horas do lado dela, sem saber direito o que houve, pois com ele nada tinha acontecido, estava em forma e satisfeito
A podridão foi resultado da quentura do dia, do sol forte.
Era o pós morte de Jureminha.
Breve Conclusão:
Eu, como narrador desse triste momento no parque (Juarez - o antecessor e causador da tragédia, o amante de Madalena), tomo a liberdade de concluir que no meio dos restinhos de que se aproveitaram os bichinhos, como alimento, deveria haver algum caquinho de vidro ou algo intoxicante, e a pobre Jureminha sem tomar consciência da matéria, a absorveu.
Deglutiu sem nem saber, sem nem sentir, o veneno, motivada pelo sabor da refeição farta. Chegou àquele estado fatal, em que se encontrava, corpo abandonado, inerte, sem Sinfrônio, sozinha junto ao lago, ao sol ...
Em breve o segundo momento disto tudo ...