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sábado, 6 de junho de 2009

De volta, após o frio da rua.

Acordando.
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Já eram por volta das três horas da tarde do domingo. Havia me acordado havia pouco tempo. Não almocei. Tomei um copo de leite com bananas e me senti satisfeito com aquilo, pronto para aguentar até o jantar.
Disse a Marcelo que ia à casa de meus amigos, para juntos assistirmos uns vídeos novos que tinha baixado da internet. Tinha de tudo nos arquivos, nós íamos aproveitar bastante até a noite quando pretendia voltar para minha casa, resolver a situação do dia anterior. Achei melhor aproveitar um pouco mais minha liberdade momentânea.
Me despedi de meu irmão e saí.
Já na rua, peguei meu MP4 e liguei, meti a mão no bolso e vi que tinha deixado o cabo em casa, ia complicar para passar os vídeos para o PC de meu amigo. Quis voltar para casa naquela hora, aí resolvi que não deveria voltar por enquanto, devia dar mais um tempo, até enfrentar aquelas ferinhas, querendo me morder, junto com a patroa brava. Minha família.
Também não fui á casa dos meus amigos, fui em direção ao Parque, remoer a confusão da mulher.
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Procurei um banco para sentar, passei pela árvore da madrugada anterior. Lembrei de Madá, e do que fizemos alí embaixo, juntinhos, sem culpa nenhuma entre nós.
Veio à minha mente aquela sensação gostosa de estar ao ar livre namorando, sentindo o ar frio, o ruído de folhas ao vento, além do corpo quente e macio da companheira da hora.
De repente lembro da coisa me tocando, quando eu estava bem relaxado, no meu romance. O ratão gordo, segundo Madá.

Vista, e cheiro.

Achei um banco, perto dele, vi um ratinho podre, na beira do lago, com formigas a devorar sua carne, e alguns tapurús brancos por cima. Fui me afastando um pouco devagar. Senti o mau cheiro da degeneração daquela carne.
Era cedo ainda, sentei e comecei a armar uma conversa e possibilidades para resolver o meu problema doméstico. Escutando músicas pelos headphones.
jyt Ainda dava para avistar Jureminha - a ratinha. Ela acaba de receber a visita dos seus três filhotinhos, da sua última ninhada.
Pareciam buscar em seus peitos o leitinho para saciar o que lhes matava, querendo mamar como estavam acostumados.
A ausência repentina de sua mãe, dava-lhe pouco tempo de vida. O instinto animal os levou até ali. Numa longa procura.
As formigas que comiam sua mãe mordiam-lhes nos focinhos, eles soltavam um grunhido, mas continuavam insistindo, no ato de procurar sulgar os seios da defunta, ignorando tudo de ruim dali.
No céu, bem do alto, começa a descer um urubú enorme, sentindo a oportunidade de saciar-se. Aproxima-se do corpinho no chão, os filhotinhos fogem, assustados com a ave.
Um deles, não consegue, torna-se a primeira refeição do gigante negro.
Os outros, com certeza também irão encontrar um fim doloroso, mas diferente. Espalharam-se pelo Parque, correndo da morte.
 
A ave de rapina olha o ser que despertou-lhe o desejo, começa a devorar-lhe, arrancando-lhe os pedaços.der
Vejo a cena, e fico observando o urubú trabalhando, limpando a grama do Parque.


Voltando.

Já estava anoitecendo, me levantei, já tinha no pensamento a idéia do que ia fazer, quando chegasse em casa.
Andei mais um tempo pela cidade um pouco além do cair da noite, respirei fundo e fui para meu lar por meu plano em prática.
Bato na porta, a patroa abre, ainda de cara feia ... 

… a esperança da solução está perto, na próxima rodada, vamos ver se acertei …
até breve.

Sonho pesado, dia triste.

Início Romântico.


Eu e minha amante Madalena, fomos em uma noite de sábado ao parque da cidade. Sabíamos que ninguém nos veria lá. As pessoas não costumavam frequentar lá de noite, era perigoso demais.
O fato de nós estarmos naquele lugar - o que não seria comum (pois sou uma pessoa comprometida), foi que eu tinha brigado com todos na minha casa, fiquei com muita raiva, e resolvi passar a noite fora, longe daquele ambiente hostil.
Aquilo ali tinha se tornado para mim horrível, um inferno. Com minha companheira e meus filhos em ataque feroz.
Disse ao pessoal que ia para casa de meu irmão. Saí revoltado.
Quando cheguei na casa de Marcelo, antes de entrar, avistei Madá, coleguinha de longas datas. Ela estava sentada na calçada, perto da casa em que eu pretendia passar aquela noite.
Eu a chamei, conversamos, e a convidei para saírmos juntos. Contei para ela da minha situação, estava muito chateado, queria desestressar. Ela me entendeu e nós fomos adiante.
O local ideal naquela noite já estava em nossas cabeças, já o havíamos experimentado outras vezes. Fomos em frente, juntinhos, aproveitar a noite enluarada, a sós, no nosso cantinho público e discreto. Era o Parque Municipal, uma enorme área verde, das proximidades.


Passamos a noite toda namorando deitados na grama, embaixo de uma árvore, bem frondosa no local, protegidos do sereno.
Passado muito tempo, já surgiam os primeiros raios de sol, estava amanhecendo, nos encontrávamos neste momento nas despedidas. Beijávamos-nos muito, Madá em meu colo e eu curvado sobre ela, fazendo carícias e dizendo palavras de amor, falando suavemente.
De repente sinto uma coisa tocando em mim, Madá se virou deu um grito e de um pulo saiu correndo, eu corri atrás dela. Disparamos numa correria danada, saímos do parque, esbaforidos, mas sem testemunhas de nossa noite romântica.
Não tinha visto o que me tocou, a minha companheira disse-me que era um ratão enorme e bem gordo.
Deixei ela em casa e fui embora, para casa de Marcelo - meu irmão, ainda suado da correria.


O Retorno.


Após pouco tempo, o animalzinho retornou, havíamos deixado restos de um cachorro quente, que comemos no lanche, farelos e um inteiro que abandonei lá.
Abundavam pedaços de salsichas, de pão, de carne, enfim, uma festa para o bichinho.
Ele devia estar faminto e nos tocou, em busca de sua refeição, despertado pelo cheiro apetitoso do alimento. O instinto deve ter dado coragem a ele para nos expulsar, daquele jeito.
Pouco tempo depois chegou a companheira de Sinfrônio, a ratinha Jureminha, os dois juntinhos se esbaldaram nos restos de nossa refeição. Encheram a pança, como nunca.
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Pobre Jureminha, não demorou muito, arriou, passou mal e morreu na clareira junto do lago. Tinham ido tomar água, depois de toda aquela comida.
Sinfrônio permaneceu junto dela, amargando aquela cena triste, não aguentou depois de horas de sofrimento e se foi, deixando a companheira ao sol das onze.
Ela já começava a feder.
O efeito do mal-cheiro fez o ratinho se afastar, além de todo sofrimento que experimentou da perda de sua companheira de longas datas.
Ele havia ficado umas três horas do lado dela, sem saber direito o que houve, pois com ele nada tinha acontecido, estava em forma e satisfeito
A podridão foi resultado da quentura do dia, do sol forte.
Era o pós morte de Jureminha.


Breve Conclusão:


Eu, como narrador desse triste momento no parque (Juarez - o antecessor e causador da tragédia, o amante de Madalena), tomo a liberdade de concluir que no meio dos restinhos de que se aproveitaram os bichinhos, como alimento, deveria haver algum caquinho de vidro ou algo intoxicante, e a pobre Jureminha sem tomar consciência da matéria, a absorveu.
Deglutiu sem nem saber, sem nem sentir, o veneno, motivada pelo sabor da refeição farta. Chegou àquele estado fatal, em que se encontrava, corpo abandonado, inerte, sem Sinfrônio, sozinha junto ao lago, ao sol ...


Em breve o segundo momento disto tudo ...