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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Estrelas em sonhos frios e reais.

Acho lindas as estrelas com suas pontas apontando para os lados.
Acho linda a lua branquinha parecendo um queijo suiço.
Acho lindo o sol com seus cabelos loiros e quentes.
Acho lindas as ondas com uma pontinha para frente, parecendo lua no mar.
Acho lindo um menino feito traços em linhas com uma cabeça redonda e grande.
Acho lindo o giz que tenho agora fazendo isso tudo no quadro negro.
Acho tudo isso muito lindo.
Mas agora vou varrer a sala de aula.
Era para ter aprendido as lições.
Não ficar achando tudo muito lindo.
Continuo sonhando lindezas em salas de aula.
Em lindas imagens que vejo.
Fiz tres graus, e continuo na base da pirãmide social.
Depois de terminar a limpeza, vou estudar e concluir minha tese de mestrado.
Para lutar contra esse reino letrado, e não ficar achando linda a realeza.

Das forças a pior.

Logo cedo hoje vi um enforcado balançando numa forca.
Meu filho perguntou o que era aquilo.
Disse a ele que eram coisas do Estado.
Pior foi quando voltamos das compras na feira.
O enforcado estava todo esquartejado em pedaços.
Meu filho deu um grito quando viu a cabeça ensanguentada do defunto.
Perguntou o que era aquilo.
Respondi que eram coisas do Estado.
Quando chegamos em casa meu filho assustado não conseguia dormir.
Disse assustado que estava vendo um monstro.
E o monstro que ela viu fedendo e com chifres era o Estado.
Eu como funcionário padrão do Estado, não sabia como colocar ele pra dormir tranquilo, enganando-o.
O Estado não permite certas liberdades, mas em casa eu posso dizer a meu filho quem é o Estado.
Para eu e ele dormirmos em paz, e conscientes do que é o Estado.

Retrato póstumo de uma cobiça.

Tenho um cemitério perto de casa.
Sou o proprietario deste negócio em expansão.
Todo dia vejo meus futuros fregueses.
Espero que eles não saibam minha aplicação.
Detesto concorrencia em meus negócios.
Mas a organização me ensinou.
Tenho que ter um concorrente fraco.
Para apontar os defeitos dele.
E mostrar a todos como sou o bom.
Depois se ele for querer crescer.
Compro o negócio dele rapidinho.
E faço ele provar do negocinho dele.
Para a alma dele saber.
Penando naquele inferninho que eu permiti ele fazer.
Que as almas que habitam o meu negócio.
Nunca reclamaram de meu cemitério.
Ele vai saber disso, quando tiver provando do dele.
Nem vai reclamar da sorte, de querer crescer.
Invejando os cemitérios alheios.

Céus, mares, e piores.

Diante de nuvens douradas vi um último céu.
Era um por do sol riquíssimo.
Embaixo um negro bigode juntava corpos amarelos
As cinzas de um hecatombe, poluia endereços esquecidos.
A riqueza em carbonos lhe datavam em séculos.
Um império em desejos reais, lhe davam umas fotos com pelos.
Nos bigodes pretos escondidos, que não mostravam a cor.
Bigode amarelo fica preto em poeiras negras.
As lembranças se escondem assim.
Amarelos pretos em carvões antigos.
A unidade marca umas pessoas.
Outras nem tanto.
O metal cobre, o que o carvão não deixa ver.
O produto do fogo, depois da queima é o carvão.
Até metais derretem nisto.
O amarelo dos bigodes escondidos sabem disso.
As nuvens amarelas não douram peles.
O sol refletido nelas passou o dia a dourar.
É noite chegando.
Em nuvens amarelas.
Até jacaré sabe que tá chegando a hora de deitar.
Para caçar de novo, no amanhecer.
Disfarçados de peixinhos dourados.
Sem ser gatinhos mansos.
De longos bigodes brancos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

- A senhora não tem vergonha de fazer isso com esta pessoa? Como é que pode? Tá com vontade da matar alge