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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um ponto, em uma questão.


Um moreno de barba me olhou fortemente na rua hoje.
Nesses tempos difíceis de terror, me assustei com aquele homem me reparando firmemente.
Passei por ele, deixei-o para trás e aquele momento ruim.
Andei uns dois quarteirões.
Senti uma pressão nas costas.
- Não se vire, já são mais de dez horas da noite, na rua ninguém vai te acudir agora.
Gelei. Minhas pernas pareciam borrachas sem ossos. O suor, escorria pelo meu rosto.
- Para todos os efeitos, esqueça de mim, e da noite de hoje. Já te conheço bem. Sei onde você vai. Onde você mora.
Eu havia saido apenas para comprar cigarros, já não sabia se voltaria para casa.
- Por que você acha que estou lhe fazendo isto? Não entende?
Tive vontade de me virar olhar o homem de frente e acabar logo com aquilo. Perguntando o que ele queria. Eu só tinha dez reais no bolso. Nada mais.
- Oha, sei como tu vive também - falou.
O estranho só faltava soprar palavras em meus ouvidos. Mas meu medo já estava passando, a cada passo que eu dava, com aquilo em minhas costas. Este devia ser este o seu objetivo, que eu perdesse o medo.
- Não se grila, não vou te fazer mal. Tu não sabes como vivo perto de você.
Aí, me virei. O homem estava com um capuz preto na cabeça. Me deu o revólver. Estranhei.
- Você vai me fazer um favor imenso. Quero que pegue a arma, vamos até aquele terreno escuro e cercado. Mate-me.
Eu, me senti mal, durante toda a caminhada, com aquele cara apertando aquele objeto às minhas costas, claro.
- Chegamos, atire.
O homem se virou de costas, deu uns passos adiante. Encostou-se com o rosto colado na parede escura, no fim do terreno e tirou o capuz.
Eu atirei. O cara caiu no chão. Estava morto.
O problema disto tudo, é que atirei para o chão. O homem morreu do susto. Caiu de costas. Rosto para cima.
Ao ver seu rosto, vi nele um velho de mais de oitenta anos. Entendi o motivo de sua morte. A emoção de a sentir (a morte pelo som), após o estalido, fez seu coração bastante usado, parar.
Não o conhecia, nunca o tinha visto antes.
Pensei que tinha atirado para assustar o moreno de barba, que havia passado por mim e me aterrorizado antes, não era ele.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Charlie's

Um mundo lindo o seu.
A promessa chegou para você.
Cidadã modelo, dona do mundo, a derradeira obra.
Sabe, Mona Lisa, você com toda essa beleza, devia ter gozado mais.
Aproveitado cada centavo que ganhou, vendendo idéias, sonhos e amigo(a)s.
A Revolução lhe pertence.
Sua alma necessita desesperadamente dela.
A outra que você tanto deseja, deve estar muito longe, para você destruir todas as existências ao seu lado.
O mote, que você roubou. A vida que você secou. Foi uma construção alheia à sua vontade.
Você Mona Lisa, sorri, porquê sabe que mente.
Um rico mente. Um vencendor sendo humilde, também mente. Um coitado chorando de dor, serve-lhe, para você rir um pouco mais.
O sangue que tu diz ter, não tem.
Tudo o que tu ama está fora.
Onde estará o seu amor Mona?
Acho que em uma ilha deserta. Sem poderes. Sem patrões. Sem estruturas que te amarrem. Te prendam.
Mona, teu discurso é lindo.
Mas acho-o impraticável.
É a estória do 69.
Quem amou, amou.
Agora, você, com essa idade, querer tudo de novo.
Deve ter se arrependido de algo.
A América Mona, não é tua, não é nossa.
Será que ela foi uma pessoa do mundo?
Você não é Mona. Não sabe disso?
Poderooooooooooooooooossssaaaaa ....