-- “Mamãe, mamãe, mamãe, és a rainha do lar … “
Cantou um bêbo todo orgulhoso e empolgado num bar.
Seu amigo de cachaça olhou invocado para ele e com desprezo falou, bem sabido das coisas:
- Peraí seu safado, desde que tú nasceu, ela deixou de ser, mesmo que tivesse sido antes. Tú não tem honra de homem. Entonce tú, com essa idéial, nem cantando no dia certo, quanto mais agora no Natal.
- Oxi, ficasse doido?
- Teu pai sabe tudo, e não te contou. Bebo falante. Canta Jingle Bell’s que é do tempo. Burro babão, limpa a boca dessa canção inocente. As outras mães, não merecem teu cantinho safado.
- Endoidasse de vez.
- Pensa que não tou vendo. Tú és safado mesmo, tás cantando para aquela dona ali, bonitinha com o bebê no colo. Vou sair de perto de tú, alma sebosa.
- Fique aí, eu me vou. Adeus, coisa ruim.
O bêbo cantor disse isso triste. Se levantou da mesa, e saiu chorando para casa. Emocionado e cambaleando, trocando as pernas na rua, com lágrimas rolando.
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