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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sons na mata.

Ventos batendo nas folhas, pássaros assobiando numa desritmia, sons desconhecidos por mim de animais silvestres. A tardinha era assim na mata. Eu já acendia a fogueira para me aquecer naquela noite. Sabendo que ia ser bem longa.
Adormeci sobre a grama verdinha, a terra cheirava forte sob mim, tinha cheiro de coisa úmida. Minha roupa não continha o frio noturno, era uma bermuda e camiseta regata,  não tinha como me cobrir para apaziguar a sensação térmica. Coloquei os chinelos na cabeça e o sono foi chegando, apesar de o queixo tremer de frio.
O que ajudava era a fogueira do lado.
Acordo com os primeiros raios do sol, me levanto e começo a caminhar em direção a minha casa.
Tudo começou por uma confusão, tinha brigado com minha irmã, Renata, ela disse aos meus pais que eu havia mexido na bolsa de minha mãe, eles a defenderam, acreditando nela e eu no descontrole da emoção fui sem rumo pelo mundo.
Deixei um bilhete sobre minha cama, onde dizia que ia dormir na casa de André, um de meus amigos.
Na rua, meus amigos me viram, eu conversei um pouco com eles, enquanto matutava o que ia fazer. Tomei umas pingas com André, que era o único que tava bebendo, e me fui. Não disse nada.
Ao passar ao lado da Reserva Florestal, entrei. cor 2
Paguei a entrada de R$ 2,00, e comuniquei ao vigilante, que ia fazer uma caminhada até o lago. Eram umas 3 da tarde. Enquanto chegava a noite, eu na beira do lago, fumava todo o cigarro que restava, quando acabou joguei a carteira fora e guardei os fósforos, já imaginando minha precisão.
Foi assim a tarde após a briga, na mata.
Voltando para casa, vejo os colegas no banco da praça, dessa vez estavam todos bebericando. Falei com eles, que nada notaram, e continuei meu rumo, o que eu ia fazer agora? Pensava.
MInha mãe me viu e me disse aflita:
- Desculpa por ontem meu filho, Renata falou para nós a verdade, você estava com toda a razão, demos um castigo a ela, para não te prejudicar mais. Ela que tirou os R$ 10,00 da carteira como você tinha dito.
- Tudo bem, eu também vou dar uma liçãozinha nela, vai me pagar dobrado o que fez comigo. Vai ter que me pagar hoje os R$ 30,00 que está me devendo – eu disse e fui tomar banho. Bem chateado.

Culto a verdades ou inverdades?

Uma imagem, mesmo que ela não exista, pode perturbar muito a pessoa.
Uma lembrança é uma imagem, que pode assumir várias formas em quem a tem.
Isto é condicionado ao momento que se está passando, ou as necessidades que se enfrenta.
Os obssessivos, costumas tirar proveito destas coisas e aplicá-las com um objetivo definido. Mesmo que seja uma loucura para o ouvinte, que por mais explicado que seja, não vê sentindo em objetivos e discursos alheios, principalmente quando não fazem parte da sua realidade.
Tem pessoas que a partir do que sabem, as vezes, se sentem, se acham, e com essa pedra filosofal na cabeça, sai espalhando inverdades, passando-as como sabedorias.
CELIABola_de_cristal
Hoje pela manhã ao passar na esquina do centro, vi uma pessoa sentada num banquinho. Ela toda animada, dizia as pessoas que havia chegado de outra cidade. Lá tinha visto muito progresso e felicidade. As pessoas de lá, eram bem de vida. Ganhavam muita grana, dava para ver em seus rostos, e ter a sensação de um mundo cheio de maravilhas. Mas, continuava falando, dizia que não se deu bem lá, tinha saudades de sua terra natal, e voltou. Quase se perdia no saber e pensar, naquele outro mundo. Era uma estranha. Não tinha educação, aquilo lá era o ganha pão.
De vez em quando, ela conversava alegre com as pessoas, que passava pela calçada, dava-lhe esperanças, contava a estória e dizia a elas que acreditasse na vida, que era uma coisa muito boa. Apesar dos sofrimentos que ela esconde.
Uma moedinha de vez em quando pingava para ela. Ela sorria, agradecia, e fazia uma benção, para que a doadora tivesse sorte na vida.
Eu tomando um cafezinho na esquina vi isso acontecer várias vezes. Aí me levantei e fui saber da pessoa o que ela falava, ela me contou.
Eu fui ver de perto, porque notei que de vez em quando, ela baixava a cabeça e parecia chorar. Quando estava só. Achei que estivesse sofrendo.
Enquanto eu falava com ela, chegou um de seus fregueses. De perto eu vi o desenrolar de seu discurso. O freguês se foi, ela retornou a atenção para mim.
- No que você acredita? As pessoas que passam lhe entendem? Por que você chora de vez em quando? – friamente perguntei, curioso.
- Meu amigo, faço isto para ter minha comidinha de todo dia, a cidade que falo não existe, sou do interior desse estado, nunca soube o que é viagem, a não ser esta em que vim parar, noto as pessoas solitárias no meio da rua, conto uma estória bonita, de um sonho, e dou uma pitadinha de dor, acham bonita a conversa e as vezes me vendo triste elas tentam me agradar.
- E por que chora de vez em quando? retornei.
- Por que sei que mentindo e enganando é como ganho meu sustento. Minha estória não existe, você sabe.
Sai duvidando, se ela me contou a verdade.