Paola era uma grande amiga minha de infância.
Mas faz um ano que ela desapareceu, numa viagem de ônibus. Caiu num rio em um acidente de ônibus, seu corpo nunca foi encontrado.
Hoje, no meu quarto estava vendo as fotos dela na internet, nunca a tirei de meus contatos, a mantinha até hoje, entre eles.
Sempre quando sinto falta dela vejo as suas fotos.
Sempre alegre como era ela, em vários passeios, inclusive comigo junto nas fotos.
Logo cedo da noite, enquanto via algumas fotos, senti um frio imenso no meu corpo. Achei estranho. Me afastei do computador e o frio passou.
Fui tomar um café quente na cozinha, com muito açúcar, me senti como se estivesse ficando sem energia, após a experiência que tive enquanto a via, sozinho na escuridão do quarto.
Fiquei vendo televisão na sala um pouco com a luz aceza, para me refazer da sensação.
Apaguei a luz após relaxar. De repente vejo do lado da tv um vulto, se mexendo.
Ele se aproxima de mim e pede, num sussurro para eu deletar o perfil de Paola de meus contatos.
O vulto disse que já tinha feito o pedido a todos os outros contatos, só faltava eu.
Disse ainda que Paola não tinha descanso desde que morreu, pois muitos não sabiam do acontecido, e a mantinha sem descanso vendo suas fotos no site.
Eu falei que não era meu caso, que desde que que ela sumiu e foi dada como morta que eu fui informado de tudo. Portanto não era culpado da falta de descanso dela e do sofrimento de sua alma.
O vulto me falou, ainda sussurando:
- Pois esse é o problema meu filho, sou o pai dela, e ela não consegue chegar nessa outra dimensão em que me encontro, justamente por tua causa, entre outros poucos mais chegados. Vocês que sabiam podiam ter informado aos outros navegantes sobre o ocorrido, e ter colaborado com o descanso de minha filha. Ela morreu afogada, e sua alma continua no fundo do rio.
Ele prosseguiu:
- Um momento, ela está saindo agora e quer te falar.
Chega outro vulto e vejo que se trata de Paola, bastante desfigurada.
- Joca, hoje meu pai me libertou, você era o último contato que ainda via minhas fotos, mas já sabe que não vai poder fazer mais isso. Espero que cumpra, não quero voltar ao fundo do rio, delete-me.
Depois deste momento entendi tudo.
Aquela sensação que senti no quarto, foi o ínício da libertação de Paola, agora que cumpri o pedido, acho que ela finalmente vai descansar em paz, no outro mundo.
Pensei sozinho: “Adeus amiga, descanse enfim … Lembrarei de ti agora sem te ver agora nas fotos, que gostava tanto, adeus”.
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