Um sentimento vazio me tomava os pensamentos hoje de tarde. Era a falta de algo importante para fazer.
Passei o resto da tarde querendo algo bom. Mas nada me vinha a mente.
Quando o sol se pôs vi-me piorar, em meu nada. Esta tarde foi profundamente desperdiçada.
O lugar não me pertencia, já tinha uma dia pré-datado para deixá-lo.
Disso eu tinha a certeza, não haveria prorrogação.
Desse ponto em diante, nada me ocorria para me livrar deste destino certo.
Não havia como eu ter outra opção nem de data, nem de local.
O sonho que faltava era a solução do problema, que me atormentava a consciência de vez em quando, enquanto o sol se punha.
Uma coisa ruim é a certeza, quando ela não está a nosso favor.
A esperança se torna desgraça, pelo extinguir temporal.
Não se trata do negativo, isto é como um fio que escorre na nossa frente, sem piedade, nos matando a vontade de viver.
Já cansado vou ao meu quarto. Quando me deito, alguém bate a porta. A voz que chama é de um homem velho.
Eu atendo. Ele diz:
- Meu senhor, estou triste e só hoje, o senhor me permite dormir aqui?
Olho o homem e vejo se tratar de uma pessoa digna, e o convido a entrar.
Acomodo ele no sofá e vou para o meu quarto, ainda atormentado pela presença de meus pensamentos.
De madrugada ouço o barulho da porta bater, me levanto e vejo que o homem se foi.
Em cima do sofá um saco que ele trazia nas costas. Levanto, vejo que ele é pesado, um simples saco de estopa.
Tinha uma barra de ouro dentro, faltando um pedacinho como vi, e como explicava na pequena carta para mim.
" - O senhor foi bastante hospitaleiro, obrigado. Vim a sua casa para lhe devolver este objeto, que é seu. Meu filho o deixou nesta situação de penúria ao lhe roubar a esposa. Ela se foi com ele para o exterior, como sabe. Ela morreu, semana passada. Ele se arrependeu do que lhe fez ao tirar-lhe-a, e ela de ter-lhe deixado assim. Esta barra foi uma parte do trabalho dela com ele juntos na vida. Construíram muitas coisas, depois de ela o deixar. Mas ela era infeliz, algo lhe faltava na vida. Como uma amarga saudade. Tinha câncer há um ano, e se foi. Essa barra vale muito dinheiro, é a metade do que juntaram na vida, o outro pedaço que falta desta barra da doação, "uma lasquinha", foi enterrado junto com ela. Ela disse que era como se tivesse enterrando a infância de sua vida, que ela queria levar junto. A grandeza o senhor a deu, e eis ela representada em ouro".
No outro dia, doei a barra ao orfanato onde deixei nosso bebê há tempos, nossa criança já não estava mais lá, e fui ao hospital me internar. A Aids me matava fazia tempo, desta vez ela tinha me pego para valer. Estava terminando a minha vida. A infecção já não mais se continha.
Passei o resto da tarde querendo algo bom. Mas nada me vinha a mente.
Quando o sol se pôs vi-me piorar, em meu nada. Esta tarde foi profundamente desperdiçada.
O lugar não me pertencia, já tinha uma dia pré-datado para deixá-lo.
Disso eu tinha a certeza, não haveria prorrogação.
Desse ponto em diante, nada me ocorria para me livrar deste destino certo.
Não havia como eu ter outra opção nem de data, nem de local.
O sonho que faltava era a solução do problema, que me atormentava a consciência de vez em quando, enquanto o sol se punha.
Uma coisa ruim é a certeza, quando ela não está a nosso favor.
A esperança se torna desgraça, pelo extinguir temporal.
Não se trata do negativo, isto é como um fio que escorre na nossa frente, sem piedade, nos matando a vontade de viver.
Já cansado vou ao meu quarto. Quando me deito, alguém bate a porta. A voz que chama é de um homem velho.
Eu atendo. Ele diz:
- Meu senhor, estou triste e só hoje, o senhor me permite dormir aqui?
Olho o homem e vejo se tratar de uma pessoa digna, e o convido a entrar.
Acomodo ele no sofá e vou para o meu quarto, ainda atormentado pela presença de meus pensamentos.
De madrugada ouço o barulho da porta bater, me levanto e vejo que o homem se foi.
Em cima do sofá um saco que ele trazia nas costas. Levanto, vejo que ele é pesado, um simples saco de estopa.
Tinha uma barra de ouro dentro, faltando um pedacinho como vi, e como explicava na pequena carta para mim.
" - O senhor foi bastante hospitaleiro, obrigado. Vim a sua casa para lhe devolver este objeto, que é seu. Meu filho o deixou nesta situação de penúria ao lhe roubar a esposa. Ela se foi com ele para o exterior, como sabe. Ela morreu, semana passada. Ele se arrependeu do que lhe fez ao tirar-lhe-a, e ela de ter-lhe deixado assim. Esta barra foi uma parte do trabalho dela com ele juntos na vida. Construíram muitas coisas, depois de ela o deixar. Mas ela era infeliz, algo lhe faltava na vida. Como uma amarga saudade. Tinha câncer há um ano, e se foi. Essa barra vale muito dinheiro, é a metade do que juntaram na vida, o outro pedaço que falta desta barra da doação, "uma lasquinha", foi enterrado junto com ela. Ela disse que era como se tivesse enterrando a infância de sua vida, que ela queria levar junto. A grandeza o senhor a deu, e eis ela representada em ouro".
No outro dia, doei a barra ao orfanato onde deixei nosso bebê há tempos, nossa criança já não estava mais lá, e fui ao hospital me internar. A Aids me matava fazia tempo, desta vez ela tinha me pego para valer. Estava terminando a minha vida. A infecção já não mais se continha.

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