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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Costas nacionais

As costas brasileiras, já sofreram muitos ataques, talvez por serem muito largas. Muitas muralhas foram erguidas em pontos estratégicos para protegê-las. A mais conhecida, e falada pelo país todo, talvez seja a que fica virada para o norte. A fortaleza do Fortaleza.
Tem até a estória de um casamento bi-racial e heterosexual, entre pessoas de culturas diferentes, que se amaram muito nesta terra maravilhosa. Um paraíso.

Acho que por aquelas bandas, devem ter acontecido inúmeros romances deste tipo, celebrizado na literatura nacional, através de um escritor famoso de lá.654
Porém, ultimamente, existe um lamento muito grande. As canções populares, exportadas desta e daquela região para todo o país, só fala de mulheres traídas e homens que adoram "farrear, beber, cair e levantar".
Ao som de sanfona, guitarra, baixo, teclado, bateria, percussão e outras coisas mais; dá para ver que a confusão é grande. A mulher grita num lamento infeliz, relatando um adultério cometido pelo seu ser sonhado e antes idolatrado ser, em um barulho caótico, cheia de gritos.
Pior, ela completamente cheia de ódio, as vezes ameça vinganças mil.
O homem divulga sua fama de conquistador e hébrio. Fala de noitadas maravilhosas, mulheres lindas, dançando na noite regada à muita bebida, e às vezes, comida também.
Quando querem demonstrar certos gostinhos diferentes, e esquecer o lado cruel, falam do mar, do ar e da terra através de apetitosos petiscos como carangueijos, camarões, tapiocas (beijús), arribaçãs, caldo de mocotó, rolinhas, moranguinhos do nordeste, mangas, macaxeira frita, entre outros sabores  regionais, cantados. Uma salada danada, um banquete cheio de nossos prazeres em festas à beira-mar, De noite ou de dia, durante ou depois da farra, em bares e restaurantes, de que só quem vive aqui pode oferecer ao resto do mundo.
Desculpe a semelhança com o Tango das bandas do sul, sofrido, de outra parte de nosso mundo imenso e continental. Mas é uma tragi-comédia brasileira, morena.
Toca-se em um ritmo que antes divulgava sonhos (baião, xote, forró), e que não falava tanto dos dissabores da carne. Parece uma orquestra dos horrores.
  
Heróis sendo desintegrados pela falta de solução do convívio material.
Isto não é amor. Tem a cara de alguém à beira da morte. Não sei se foi um sonho que se quebrou. Acho que estão é matando ou transformando certas raizes culturais, se não toda a estrutura acima dela. Uma árvore, quando não produz bons frutos e está doente, vai ficar viva para quê? Matemos. Esta deve ser a idéia.
asd

A globalização não necessita de culturas regionais. As pessoas enxergaram um mundo bem oportuno. A venda, dá lucros imensos. Nem que seja trágica.
Um romance, não vale tanto assim, uma tragédia pior ainda, quando se pode ter tantas em um mundo sem freios.
Ninguém é de ninguém. Ou, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
A sanfona, não sopra mais ventos de paz. Seu encher e secar, trabalhado pelo artista, antes sensível as rosas e seus odores, mechendo em suas teclas e seus botões proclamando esperanças apesar da dor. Perderam a magia.
A transformação deve ter sido tornada em um ato sexual. Com um ser doente como herança desta tragédia. Cheia de palavras, meio ao tom baixo (dos sete ou oito que o instrumento tem), de alguém querendo demonstrar conhecimento sobre uma realidade social atual.
Ficou azeda ou salgada, em excesso, perdeu o mel.
A mistura brasileira não vale mais nada, tudo virou uma coisa muito quente, gostosa, e  ruim.
Nossas costas estão mais expostas do que nunca. Ninguém sente o odor, o gosto, a pele, o amor. Só a kentchura dos das pessoas fáceis, transparentes.

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